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Interpol, Rio de Janeiro, 2008: A sagrada chuva

A neblina e ar cinzento já indicavam o que seria aquela noite de 13 de março de 2008. O público já ensaiava as músicas do lado de fora da Fundição Progresso e o clima de expectativa tecia os comentários na fila que se formava na entrada. 

Desabou a chuva fria. Lá dentro, a euforia ainda era maior a cada vez que as pessoas se acomodavam. Tudo melhora quando a competente banda de rock carioca Moptop pisa no palco e mostra canções de seu primeiro álbum e nos permite conhecer algumas músicas do novo disco que está sendo gravado. 

O som não está bom, mesmo assim os caras conseguem arrancar as pessoas de seus lugares fechando sua apresentação com a música de trabalho e do clipe “O rock acabou”. Foi a vez dos ânimos ficarem ainda mais eriçados com a aproximação do show do Interpol, que visitava o Brasil pela primeira vez com a turnê “Our love to admire”

Apagam-se as luzes os gritos e as mãos ajudam a compor a introdução para “Pioneer to the Falls” e em seguida, “Obstacle 1” põe lenha na fogueira fria dos caras. Mas, eles são assim: frios. Como nos idos do pós-punk dos anos 80. Fechando os olhos ouve-se algumas referências musicais - ficam mais evidentes nos discos - cujas fontes Banks, Dengler, Kessler e Fogarino beberam com muito prazer. 

Riffs de guitarras, vocais e levadas que nos remetem a bandas como Joy Division, Echo & The Bunnymen e Smiths (“Say hello to the angels”). Mas longe de ser “blasé”, o Interpol permeia canções muito boas de um universo indie rock que ainda emocionam. “Slow hands” e “Rest my Chemistry” dão um clima de calmaria ao show para anunciar a bela “Evil” do álbum Antics, passando assim da metade do show. 

Munidos de uma composição cênica, cuja iluminação dá vida ao seu lado deprê, a banda consegue ter um domínio de palco, onde basicamente Kessler rouba a cena pela sua inquietude. Paul Banks, vez ou outra, se afasta para o meio do palco e empunhando sua Gibson assume o vocal estático o tempo inteiro. 

Enquanto as luzes inebriam a platéia, a chuva não cessa e o show é interrompido por aproximadamente 20 minutos por problemas técnicos ocasionados por ela, cujos gestos de Banks pareciam não entender a interrupção logo após “Not even Jail”

Ávido, o público aguarda ansiosamente o retorno da banda sem arredar o pé. “NYC” abre um bis atmosférico e emblemático, seguida por “Stella Was A Diver And She Was Always Down” e indica com a derradeira “PDA”, que todos já podiam dormir bem naquela noite entre luzes azuis, vermelhas e brancas acreditando que o “rock não acabou”. Nova York fica bem aqui.

Interpol na Fundição Progresso / Foto: Flickr selusava


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