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70 anos de Mark Knopfler e um show memorável no Brasil

Há exatos 70 anos, nascia em Glasgow, a terceira maior cidade do Reino Unido, Mark Freuder Knopfler, que viria a se tornar um ícone da música mundial, um dos melhores guitarristas de todos os tempos com seu estilo único e sua marca registrada de tocar sem palheta. E já que ele é o aniversariante do dia, vou escrever aqui sobre a sua única vinda ao Brasil, em abril de 2001. 

Naquele ano em que aconteceria a terceira edição do Rock in Rio, onde a expectativa por grandes shows era enorme, Mark Knopfler foi o artista internacional mais votado para se apresentar no festival. Mas sua tão esperada apresentação por aqui - os fãs de Dire Straits (onde me incluo obviamente) que o digam - acabou acontecendo em uma tour solo, que passou por Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, nesta última com três datas, e todas elas com lotação esgotada

Eu, que tinha no dia anterior conferido a voz magnífica de Dio no mesmo local, me dirigi animadíssima naquele 5 de abril de 2001, para o clássico Metropolitan, ainda sem acreditar que veria um dos meus maiores ídolos de todos os tempos.

Já falei um pouco sobre aqueles integrantes que são a alma de uma banda na resenha do show de Ed Kowalczyk, porém Mr. Knopfler representa muito melhor essa definição, sendo a voz, a guitarra solo, o compositor e a alma do Dire Straits

Quem deixou de ir ao seu show porque pensou que "não era o Dire Straits completo" perdeu uma noite magnífica, ainda mais que, além da própria alma encarnada em Mark Knopfler, ainda estavam presentes os irmãos FletcherGuy nos teclados e Danny na bateria. E, uma vez que o Dire Straits nunca tinha vindo ao Brasil, e que a banda se diluíra em meados da década anterior, aquela era uma oportunidade única de ver a lenda das guitarras ao vivo.

Quase dez mil pessoas, lotação máxima do Metropolitan, então ATL Hall, esperavam ansiosas pela entrada do mestre, para conferir principalmente os clássicos de sua banda original. Eu, particularmente, estava também muito interessada nas canções da carreira solo de Mark, que eu sempre acompanhei e tinha acabado de comprar o seu mais recente trabalho, Sailling to Philadelfia, lançado em 2000. 

Ele abriu aquela noite com Calling Elvis, faixa do último álbum de estúdio do Dire Straits, o On Every Street (1991), sob muito entusiasmo da plateia, emendando na clássica Walk of Life, do aclamado Brothers in Arms, álbum de 1985, considerado um dos melhores da banda e um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. 

Foi a vez então de pincelar o novo trabalho, começando com a agitada Who's Your Baby Now, terceira faixa de Sailling to Philadelfia. Na sequência ele toca a bela Rüdiger, do excelente Golden Heart, primeiro álbum da carreira solo de Mark, lançado em 1996, e em seu final emenda uma bela canção típica escocesa, The Bonnie Banks o' Loch Lomond. 

Seria o instante seguinte que ficaria registrado na minha memória para sempre (e talvez também na memória de muitos ali presentes). A faixa de abertura de Sailling to Philadelfia, What it is, ainda desconhecida da maioria, já era uma das minhas preferidas - vinha ouvindo-a incessantemente naqueles meses e vê-la ao vivo, ainda mais com os improvisos estendidos do rei do feelling, foi mesmo um momento memorável, especialmente aquela subidinha de Mark ao final do solo, uma segunda Sultans of Swing. Eles seguiram no mesmo álbum, tocando a faixa título, Sailling to Philadelfia e a envolvente El Macho, que fez todo mundo dançar. 

A sucessão daquela tríade do novo trabalho seria o ápice do show, momentos realmente arrepiantes: começam os acordes de Romeo and Julliet, faixa de Making Movies (1980), e o público vai ao delírio com gritos emocionados. Época aquela em que ainda se acendiam os isqueiros e não as luzes dos celulares, contribuindo para o lindo clima da música, com as milhares de mini-chamas acesas brilhando na escuridão. 

Extremamente ovacionado, Mark emocionado e agradecido, presenteia o público com seu maior clássico, sua obra prima Sultans of Swing, do primeiro álbum da banda, Dire Straits, de 1978. Haja fôlego! 

Mark retorna então à sua carreira solo, tocando mais uma de Golden Heart, a animada Done With Bonaparte, lembrando suas origens escocesas. Volta ao novo trabalho, bastante prestigiado no setlist, com Prairie Wedding, a rocker Junkie Doll, mais uma muito envolvente, Baloney Again e outra agitada que levantou novamente a galera, Pyroman

Ok, o álbum daquela tour foi bem explorado, mostrando que Mark Knopfler mantinha seu jeito para compor lindas melodias e ótimas letras. Sob muitos aplausos e o clássico "Olê, olê, olê" Mark inicia a execução impecável de Telegraph Road, belíssima composição de Love Over Gold (1982). 

A super competente banda sai do palco  ainda sob a euforia da plateia, que não arreda o pé, afinal o show ainda não podia acabar, era preciso prolongar aquela noite mágica o máximo possível. E Mark Knopfler faz isso com maestria, retornando com nada mais nada menos que a clássica fenomenal Brothers in Arms. Arrepios, gritos, emoção

Dez mil pessoas cantando com ele. Que momento! O simpático e humilde(!!!) Mark fez algumas brincadeiras em seu banjo e logo empunhou novamente sua clássica Les Paul para fechar a noite ao som do bom e velho rock n' roll: Money for Nothing!

Foi mesmo uma noite mágica, ainda que tenham faltado muitas músicas no repertório. Difícil dizer, porque mesmo as novas eram ótimas, mas eu ainda queria ter visto outras de sua carreira solo que gosto muito como Darling PrettyThe Way It Always Starts, além de clássicas do Dire Straits como So Far Away, Why Worry e Your Latest Trick - ele bem podia ter tocado Brothers in Arms na íntegra! 

O fato é que aquela foi uma oportunidade única, uma vez que Mark Knopfler nunca mais voltou ao Brasil, apesar de ter dito, em algumas entrevistas, que gostou muito do país e de ter tido, obviamente, um público expressivo

Seu nome foi cogitado várias vezes para o Rock in Rio, porém ele mesmo já confessou não gostar de tocar em grandes festivais, preferindo lugares menores e fechados, com um público máximo de 10 mil pessoas (justamente o que ele encontrou no Rio). Por que será então que ele nunca voltou? Pesquisei bastante sobre isso, mas parece não se saber de fato o motivo... 

Uma pequena aparição aconteceu em 2017 no país. Uma banda formada por vários ex-integrantes da banda britânica formaram o Dire Straits Legacy, mas nenhum dos integrantes originais (Mark Knopfler, David Knopfler, John Illsley e Pick Withers) faz parte da mesma, que se apresentou em diversas capitais brasileiras. Eu não fiquei sabendo nem teria ido a esse show, mas talvez tenha sido o mesmo que ver o The Doors sem o Jim Morrison, algo como ver uma banda cover tocando excelentes clássicos. 

Agora, aos 70 anos, as chances de rever Mr. Knopfler no Brasil ficam cada vez mais escassas, apesar de ele estar em uma tour mundial que diz ser a última, já tendo passado pela Europa e no momento percorre os Estados Unidos e o Canadá. Fica a esperança dessa despedida passar por aqui, mas sorte de quem estava num daqueles shows de abril de 2001... Vida longa ao mestre!


Foto: Divulgação

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