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Energia do Midnight Oil contagia Porto Alegre depois de 20 anos

Era uma terça-feira chuvosa em Porto Alegre, aquele 25 de abril de 2017. Cheguei ao Pepsi on Stage debaixo de muita água, ainda meio incrédula de que veria ao vivo uma das bandas que mais ouvia no estilo surf-music. Nunca foi dos meus estilos favoritos, na verdade, mas o Midnight Oil era uma exceção. Eu ouvia sua discografia na íntegra por dias a fio. E sempre pensava: "que pena que nunca verei esses caras ao vivo". Pra minha sorte, eu estava enganada.

Vinte anos depois da segunda passagem da banda australiana pela capital gaúcha - a primeira tinha sido em 1993 - eis que Mr. Peter Garrett & cia anunciam o início da tour mundial The Great Circle 2017 World Tour, justamente ali, em Porto Alegre, menos de 100 km de onde eu estava vivendo. Claro que não pensei duas vezes e fui conferir o que seria o primeiro show ao vivo que eu veria este ano.

Do alto (e bem alto!) de seus 63 anos (sério?), Garret esbanjou energia e simpatia no palco do Pepsi on Stage. Quando consegui atravessar o dilúvio de Porto Alegre e finalmente entrei no local, eles estavam já tocando a primeira música da noite, a agitada King of the Mountain, que levantou o público ainda molhado, entoando o refrão em coro com o grandalhão dançando ali na nossa frente. Depois de um "Obrigado", eles puxam Stars of Warburton e todo mundo continua cantando junto com eles... "I couldn't believe", verdade, eu não podia acreditar que estava ali, mas ia deixando a música entrar pelos meus poros...

Eles seguiram passeando por toda a carreira com destaques para as muito cantadas, Truganini e Put Down That Weapon. Entre TruganiniIn the Valley, Garret esforçou-se no português para dizer que eles iam cantar músicas sobre questões políticas e ambientais importantes para eles. Não seguiu ardoroso com seu ativismo político como em outras épocas, mas a energia de suas músicas e sua presença de palco continuavam as mesmas.

Uma pausa, Garret tira o blusão e conversa com o público enquanto os companheiros de banda preparam um set acústico para tocarem When the Generals TalkLuritja Way. Voltam ao set normal com Power and the Passion, também muito cantada. Eles seguem com a excelente Bullroarer, do Diesel and Dust, de 1986. O público parecia ainda meio morno, muita gente conversando paralelamente ao show (sempre me pergunto porque tanta gente vai a shows pra ficar conversando?), mas a banda continua destilando energia no palco e, depois da viajante Arctic World, que eles não tocavam ao vivo desde 1994, e de Warakurna, eles começam uma sequência para levantar e secar (ou molhar de novo, de suor) o público de vez. The Dead Heart, Say Your Prayers, Beds Are Burning, Forgotten Years, Blue Sky Mine e Sometimes, todas assim, juntas, uma atrás da outra, pra acabar com a conversa e fazer todo mundo pular junto com a dancinha característica de Mr. Garret.

Ufa! Pausa, por favor. Eles voltam com a pesada Redneck Wonderland e fecham com Dreamworld. Hora de voltar pra casa ainda debaixo de chuva. Eu não ouvi as minhas duas preferidas, Rivers Run Red e Mountains of Burma, mas ver o Midnight Oil ao vivo naquela noite molhada em Porto Alegre foi com certeza um excelente início dos "trabalhos" para este ano...



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