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O retorno do Nightwish a Portugal para um Coliseu lotado

A minha relação de fã do Nightwish vem de desde os primeiros lançamentos da banda, no final da década de 90. Como já citei neste texto sobre o álbum gravado no Wacken Open Air, eu acreditava que a única vocalista que poderia substituir Tarja Turunem a altura seria Floor Jansen. E no último dia 8 de setembro, eu tive a oportunidade de ver este "sonho" de Floor substituindo Tarja pela terceira vez. A primeira tinha sido em Porto Alegre, em 2012, ainda na tour de Imaginaerum, e a segunda foi no Hellfest, em 2015. Eu fui para mais essa terceira vez (esse ano eu também vi pela terceira vez o Iron Maiden e o Anathema), numa expectativa muito grande de que fosse ser o melhor show que eu veria deles... 

Após quase uma hora na fila - chegar cedo valeu pela garantia de um excelente lugar no Coliseu dos Recreios - conversando com meus novos companheiros de concertos, meus filhos super fãs da banda, entramos e nos posicionamos em uma das arquibancadas, com uma visão perfeita do palco há menos de 100 metros de nós. A abertura ficou por conta da banda nacional Kandia, uma sonoridade interessante também liderada por uma voz feminina, a simpática Nya Cruz. Com o som um pouco prejudicado e fraca iluminação durante a atuação, eles fizeram um show seguro, conseguindo embalar o público que já começava a preencher todos os espaços do Coliseu

Mais alguns minutos de grande ansiedade e expectativa, enquanto a casa começava a transbordar de gente. Entretanto, a espera foi pouca. Com pontualidade britânica, às 21h entram em cena Kai Hahto, que assumiu as baquetas após a saída de Jukka Nevalainen por problemas de saúde, Tuomas Holopainen, nos teclados, Marco Hietala, no baixo, e Emppu Vuorinen, na guitarra. Depois que todos ocupam seus lugares no palco, é a vez de entrar a deusa maior do metal sinfônico: Floor Jansen, o fim de uma grande espera para os portugueses, que ainda não a tinham visto a frente do grupo. Iniciando com Shudder Before The Beautiful, faixa de abertura de Endless Forms Most Beautiful, oitavo álbum da banda e o primeiro gravado com Floor, eles arrancam muitos aplausos e gritos eufóricos da plateia e emendam com Yours is an Empty Hope, bela composição, também do novo álbum.

Era hora então de uma dobradinha para levantar ainda mais o público: a clássica Bless The Child, eternizada na voz de Tarja, perfeitamente cantada por Floor, e Storytime, composição sublime que ganhou a vocalista ideal e foi cantada em uníssono. Que momento! Porém, este momento teve uma queda. A meu ver, eles repetiram o equívoco do Hellfest: rechearam o repertório com muitas músicas do novo álbum, enquanto poderiam aproveitar melhor a potência da voz de Floor para executarem outros tantos clássicos da banda. My Walden, Élan Weak Fantasy, seguidas de 7 Days to the Volves, do Dark Passion Play, talvez o álbum mais fraco do Nightwish, fizeram uma sequência não muito empolgante, mesmo com a entrada de Troy Donockley, e sua guitarra irlandesa.

O clima volta a melhorar com a linda e pesada The Siren, do Once, resultando em batidas de cabeça coletivas. Cria-se uma bela atmosfera com a longa The Poet And The Pendulum, mais uma do Dark Passion Play, a melhor composição do álbum, tocada perfeitamente pela banda, com imagens viajantes no telão por trás do palco. Vendo Floor cantá-la, torna-se inimaginável a execução desta música na pobre voz de Anette Olzon, sua antecessora. Depois da viagem, era hora de levantar novamente a galera, e I Want My Tears Back cumpriu muito bem esse papel. Com o alvoroço criado, a banda manteve o público na mão, e Floor oferece aos portugueses a música que talvez tenha dado ao Nightwish o estrelato que nenhuma outra banda de metal sinfônico tenha tido: Nemo coloca a casa literalmente abaixo. 

A sequência seguinte faria a minha má impressão do Hellfest, e mesmo de uma parte daquela noite, ir por água abaixo: Stargazers (clássica do Ocean Born) que me tirou do chão completamente, e o ápice da noite com Sleeping Sun (Uau, eu vi isso na voz de Floor, um sonho de arrepiar e fazer os olhos marejarem) e Ghost Love Score, a epopéia musical perfeita, que só Floor Jansen pode representar como a original.

O encore meio disfarçado, pois eles saíram e voltaram durante a própria Ghost Love Score, ficou por conta do peso de Last Ride of the Day, com direito a muitos "helicópteros" de Floor e mais uma nova, The Greatest Show on Earth. Ficou a expectativa que eles retornassem, ainda mais porque faltava Ever Dream, música que jamais deveria ficar de fora do repertório por parecer ter sido composta para a magnífica voz de Floor. Entretanto, os finlandeses tinham encerrado aquele retorno aos palcos lusitanos, com duas horas de um suntuoso espetáculo.

Acredito que ninguém que esteve naquela noite no Coliseu dos Recreios, tenha dúvidas de que Floor Jansen é a frontwoman perfeita para a mais emblemática banda de metal sinfônico da face da terra... 


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