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VOA Heavy Rock Fest: um fim de semana de peso em Corroios

A sétima edição do consagrado Vagos Open Air, que ocorre desde 2009 em Portugal, um dos maiores festivais do país no que se refere a música pesada, teve lugar na Quinta da Marialva, na cidade de Corroios, nos dias 5 e 6 de Agosto de 2016. Foi a primeira edição do festival em sua nova casa, pois até o ano passado ele ocorria na região de Vagos. Entretanto, apesar de ter sido também a minha primeira vez no festival, me pareceu que a mudança de local em nada prejudicou o evento, muito pelo contrário. A começar que a localização era excelente, mesmo ao pé da estação de comboios, fácil para chegarem os headbangers de qualquer parte do país. E toda a estrutura do festival estava muito bem organizada, desde a área de camping e banhos, até a praça de alimentação junto ao palco. Um espaço e um clima perfeito para curtir aqueles dois dias de muito rock.



Quando cheguei para o credenciamento, já tinham rolado os shows da portuguesa Dark Dath e da italiana Admiron. Enquanto montava a tenda, ouvi o som da alemã Mantar, uma banda de Sludge Metal (uma mistura de elementos de Doom e Hardcore) que muito me agradou. Foi uma vantagem da área de camping ser próxima da área do palco, além de não perder muito tempo para entrar no mesmo, podia ouvir o que rolava lá dentro. Com a "casa" arrumada, entramos para conferir os três principais shows daquela sexta-feira (entramos, porque fui acompanhada dos meus dois filhos, o que tornou o fim de semana ainda mais especial).

Suécia representada no palco e no camping
O sol ainda estava alto quando os suecos do Katatonia voltaram ao palco do VOA, eles que tinham se apresentado na primeira edição do festival, em 2009. Sob muitos aplausos e os olhos vidrados do meu filho mais novo - conseguimos ficar mesmo na grade bem perto do palco - eles começam com a bela July, do The Great Cold Distance, sétimo álbum de estúdio e um dos mais importantes da carreira da banda. Além de July, entraram no repertório, do mesmo álbum, Deliberation, Increase, My Twin e Sail's Song. A cada composição, a apresentação ficava mais e mais envolvente e os mestres da melancolia provavam porque são uma importante página na história do Doom Metal. Finalizando com a psicodélica Forsaker, Jonas Renkse (vocais), Anders Nyström (guitarra), Roger Öjersson (guitarra), Niklas Sandin (baixo) e Daniel Moilanen (bateria), deixaram o gostinho de quero mais, que poderá brevemente ser saciado pelos fãs portugueses, uma vez que se apresentarão em Lisboa no dia 14 de outubro - eu fiquei com muita vontade de ir a este concerto para ver o som deles em um ambiente fechado sem o sol, que foi a única coisa que não combinou...

Os performáticos músicos do Katatonia em ação
Um descanso no breve intervalo para o que viria a ser a terceira vez que eu me emocionaria com a mesma banda diante dos meus olhos. Ver o Anathema novamente já valeria todo o festival, e vê-los tão próximos foi uma sensação ainda mais indescritível. A viagem começa com a música homônima da banda e o clima já fica um tanto mágico, com os ingleses sendo calorosamente recebidos pelo público. A sequência arrasadora de Untouchable, Part 1, fazendo a galera pular - inclusive minha filha de 12 anos que adora a banda - e Untouchable, Part 2, que assim como das vezes que os vi em 2013 e 2014, transbordou em mim me fazendo chorar compulsivamente! As melodias desses caras são algo assim surreais... E a emoção não pararia por aí... Eles emendam a bela Thin Air com a mais bela ainda A Simple Mistake, proporcionando uma chapação floydiana geral... Depois The Lost Song, Part I, a letra caindo como uma luva para aquela noite: "Tonight I'm free, so free..." e The Beginning and the End, outra que quase me arrancou lágrimas... Danny o tempo todo agitando a galera, acenando com sua simpatia habitual, "mãe, ele acenou pra mim!", diz a minha filha emocionada no meio do show. Sim, Danny é mesmo assim carismático, uma das almas da banda, que mesmo na sua genialidade não perde a humildade. Em A Natural Disaster o público canta em uníssono com a banda e eu agradeço por aquele momento. Eles fecham com Fragile Dreams, e o "ooooo" entoado pela galera gera arrepios e muita energia para encerrar aquela hora arrebatadora do festival.

Anathema arrasou no palco do VOA
A banda mais esperada da noite de sexta, mais uma sueca do cartaz, que marcava presença pela terceira vez depois das edições de 2011 e 2014, os Opeth foram recebidos com muita euforia pelo público. E foi de fato um concerto e tanto. A mistura do Death Metal, base da formação da banda, com elementos de folk, jazz, metal e rock progressivo, geram um impacto e uma musicalidade impressionantes ao vivo, aliados ao carisma de Mikael Åkerfeldtvocalista, guitarrista e principal compositor, que mantém-se à frente do grupo desde o início. Com uma carreira consolidada desde o lançamento de Orchid, de 1995, até o Pale Communion, de 2014, os suecos passearam por 8 dos 11 álbuns de estúdio da banda. Começam com Cusp of Eternity, do último álbum, de cara agitando a galera e fazendo todos cantarem junto. Em seguida a união perfeita do progressivo com o peso de The Devil's Orchard, uma sonoridade singular... A perambulação entre potência e melodia continua durante todo o concerto, entremeada pelas conversas de Mikael com a plateia. Uma viagem musical e visual com interlúdios de violão e vocais limpos e guturais muito bem combinados. To Rid the Disease me leva em momentos de uma quase levitação, uma verdadeira confortably numb! Em Demon of the Fall, meu filho que tinha cochilado durante o show do Anathema, acorda e comenta: "essa eu gostei, é mais pesada!". E eles encerram justo com Deliverance, uma das minhas prediletas, uma montanha russa sonora de mais de treze minutos. Que noite!


Opeth foi o melhor show do festival
No sábado, depois de muita sombra e água fresca - outro ponto mais que positivo do festival foi que a área de camping era totalmente arborizada, gerando excelentes sombras para a galera se recuperar da maratona musical - era hora de curtir mais dois grandes shows. Já tinham rolado a espanhola Soldier, a portuguesa Equaleft e uma surpresa positiva que ouvi do acampamento, a Schammasch, da Suíça, além do Balck Metal norueguês da Abbath. 

Área de camping com muita sombra
Mas foi para ver o Paradise Lost que retornamos para o VOA na noite do dia 6. Era a banda que as minhas crianças mais queriam ver (!!) e foi curioso perceber que a minha filha de 12 anos conhecia mais as músicas do que eu. Ela estava inteirada do último álbum dos ingleses, o The Plague Within, muito bom por sinal. Eles abrem com No Hope Insight, sem dúvida uma das melhores composições da banda nos últimos tempos. A segunda do repertório é The Enemy, do álbum In Requiem, de 2007, levantando ainda mais o público, que Nick Holmes parecia ter nas mãos, emendando logo no pianinho de Erased, do Symbol of Life (2002). Do clássico Draconian Times, eles tocam Hallowed Land e The Last Time, que fecha a noite muito bem. Os ingleses apresentaram um excelente repertório, navegando por várias fases da trajetória da banda, uma das precursoras do Doom Metal, ao lado do My Dying Bride. Uma apresentação mais que aprovada por todas as idades! Meu filho falava o tempo todo: "o meu show preferido foi do Paraíso Perdido!"


Paradise Lost levantou o público do VOA
Para encerrar a noite e o festival, era a hora dos gigantes do Trash alemão, os Kreator, que se apresentavam pela segunda vez no Vagos Open Air, assim como o Paradise Lost  - ambas bandas tinham participado da edição de 2014. O concerto do Kreator dispensa comentários, para quem gosta do estilo é uma porrada na orelha do início ao fim. Apesar de ser um som que até curto de ver ao vivo, não fiquei até o final do show deles, mas do que assisti foi impecável.

Kreator fechou o VOA 2016
Eu tinha o credenciamento também para ir ao Wacken Open Air, na Alemanha, que ocorreu no mesmo final de semana. Entretanto, por incompatibilidade de horários, não consegui voar para lá e acho que no final das contas o saldo final do Vagos Open Air 2016 foi, no meu ponto de vista, super positivo.  Apesar de ter voltado para apenas dois dias - nas duas últimas edições o festival contou com três dias de concertos - e da mudança de local, o VOA faz jus à propaganda de um dos melhores festivais de música pesada do país, afinal de contas, quantidade não é sinônimo de qualidade, e esta última o VOA tem de sobra!

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