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Ed Kowalczyk em Porto Alegre, 2011: quando um integrante é a alma de uma banda

Há bandas que têm uma particularidade singular, seja pelo timbre da voz do cantor, pelos riffs característicos do guitarrista ou pela pegada incomparável do baixista. Mas há bandas ainda que têm em um único elemento o que talvez seja o mais importante em uma carreira de sucesso: a alma do grupo. O Live, banda americana de rock alternativo, formada em York no final dos anos 80, é uma destas bandas, e Ed Kowalczyk, nome quase impronunciável ao menos para quem não fala polonês, foi com certeza a alma do Live

Após 20 anos de uma carreira brilhante com sete álbuns cheios de êxitos, a banda anunciou umas férias permanentes em 2009 e Ed seguiu por novos caminhos, lançando um álbum solo em 2010, intitulado Alive. Logo depois, a banda anunciaria a continuação sem o vocalista e eles entrariam em alguns conflitos levando-os até mesmo a tribunal, pelos direitos de uso do nome Live. Em 3 de julho de 2011, Ed Kowalczyk se apresentaria  em Porto Alegre, no icônico Bar Opinião, usando como sub-título o nome de sua ex-banda. Era uma noite de muito frio na capital gaúcha, mas para a minha sorte e a de umas centenas de fãs, seríamos aquecidos pela voz e poesia de um dos mais representativos integrantes dessa turma que forma a alma de um grupo.

Eu me lembro de estar trabalhando em um evento antes de poder ir para o Opinião e a ansiedade de chegar a tempo era grande. Acabei só conseguindo entrar quando já estava rolando o clássico All Over You, faixa de Throwing Copper, de 1994, o meu álbum predileto dos caras. Entrei meio que na tensão - eu detesto me atrasar para concertos - e tinha passado alguns momentos ruins antes de estar ali, então pegar a música no meio acabou me deixando mais irritada. Mas logo isso sumiria, porque eu tinha Ed Kowalczyk na minha frente, uma das vozes que eu mais tinha ouvido naquela última década.

A segunda faixa do repertório foi a agitada The Great Beyond, do álbum solo de Ed, seguida de The Distance, do Live. Desde o início Ed tinha o público conquistado pelo seu carisma e pela sua voz singular. Comecei a entrar no clima do show e a ficha começou a cair, mas foi só no clássico Selling The Drama, outra do Throwing Copper, que eu me entreguei de vez àquele momento e me apercebi que estava vendo um dos meus compositores favoritos... Mais duas da recente carreira solo, a belíssima Drink (Everlasting Love) e Drive, com o mesmo "quê" do Live, comprovando que Ed era mesmo a alma da banda.

O embalo continua com The Dolphin's Cry, faixa também altamente cantada pelo público, um dos ápices da noite. Ed mescla muito bem a carreira da banda que liderou por duas décadas, com o seu debut, e manda Stand, uma pegada mais pesada e excelente letra. Ele ainda mandaria Heaven, de Birds of Pray, dedicando-a às mulheres da plateia, e Grace, outra da carreira solo, antes de começar uma enxurrada de temas do Live, para tirar o fôlego de qualquer um. Primeiro o balanço envolvente de White, Discussion seguida de I Alone, cantada em coro pelo público, que podia até não lotar o Opinião, mas que o aquecia e fazia daquele momento algo único. Mais duas do Throwing Copper (eba!), e a casa vem abaixo com o primeiro bis, iniciado pela mega-clássica Pain Lies on the Riverside, de Mental Jewelry, primeiro álbum do Live. Pausa para respirar (ou viajar) com a profunda Overcome, e o riff que eu adoro de Lakini's Juice, do Secret Samedi, talvez o meu segundo álbum favorito da banda.

E aí vem o momento de perder a voz, os sentidos, perder (ou ganhar) tudo de uma vez: Lightning Crashes, uma das composições mais perfeitas de Ed, a obra-prima do Live, pura emoção. Ele dá uma trégua tocando duas novas, Just in Time, que eu curti muito, e Zion, outra pegada muito interessante, muito estilo Kowalczyk/Live. O encerramento daquela noite viria com mais dois clássicos do Live, as lindas The Beauty of Gray e Dance With You, hiper cantadas por todos e que me emocionaram profundamente.

Eu saí do Opinião renovada, foi muito bom ver um cara que sempre admirei, a alma de uma banda que está entre as minhas favoritas. E Ed Kowalczyk com certeza aqueceu aquela noite fria do inverno gaúcho...






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