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11 anos de Hellfest, o 'carnaval' do rock!

Se o Hellfest 2015 foi a estreia em grande estilo em festivais, a edição de 2016 foi a "consagração" do nosso trabalho, a certeza de que este site foi criado com um único intuito: transmitir experiências únicas, como o verdadeiro carnaval do rock em França. Para muita gente, o carnaval carioca é um dos maiores espetáculos da terra, mas cá entre nós eu diria que um dos maiores espetáculos da terra é o Hellfest Open Air, um festival que vai para muito além de reunir mais de 150 bandas de rock em seis palcos. Só a chegada ao aeroporto de Nantes já te coloca no clima do festival: são headbangers vindos de todos os lugares do globo. A "capital" da Bretanha, maior cidade das proximidades de Clisson, onde fica a HellCity, vai sendo tomada por camisetas pretas, correntes e coturnos de todos os estilos e tamanhos, de todas as culturas e línguas, uma miscelânea cultural em torno de um único objetivo: a música!

A entrada alegórica do festival

Tudo muito bem preparado pela organização do festival para receber toda essa massa rockeira. Transporte disponibilizado desde o aeroporto até Clisson, por 15 euros a corrida. Também é possível ir de trem, e da estação de Clisson até a HellCity custa apenas 2 euros a corrida, que leva menos de 10 minutos. Ou ainda você pode ir andando, em um passeio de cerca de meia hora pela belíssima cidade com suas construções de pedra, um lindo rio e um castelo medieval imponente.
Clisson é uma linda cidade
















Vans oficiais garantem o transporte
Eu cheguei ao Hellfest pouco depois das três da tarde, após uma espera pela minha carona, vizinhos de uma amiga brasileira que mora em Nantes - praticamente toda a cidade frequenta o festival - e, depois de uma rápida visita de abastecimento ao E'leclerc, o mercado que é praticamente uma extensão do Hellfest, fui logo me credenciar e montar a minha barraca. Consegui um espaço bem localizado, apesar de o camping já estar totalmente tomado, tive a sorte de pegar um espacinho bem na entrada da área vermelha - a área de acampamento do festival também é super organizada, dividida por cores para que a galera se localize facilmente. Retornar àquela atmosfera depois de um ano, um ano que foi particularmente complexo na minha vida, foi uma emoção e tanto.  

Ainda no aeroporto de Nantes eu fiz amizade com um búlgaro, um simpático headbanger que enfrentou quatro horas de voo de Sophia até Paris, depois mais uma hora até Nantes. Tudo pelo Heavy Metal! Ele ia encontrar ainda mais dois amigos búlgaros, um que vive em Toulouse e outro que vive em Londres. Além de tudo, o Hellfest é também um ponto de reencontro de amigos!

Earth no The Valley
O primeiro show que fui conferir foi o do Earth, um baita show por sinal, uma das apresentações mais chapantes que eu já vi na minha vida de rockeira. Eu estava ali não para ver todas as bandas possíveis - o que é uma tarefa difícil, pois são muitas atrações boas tocando simultaneamente entre os seis palcos do festival - mas para aproveitar ao máximo cada momento e cada uma das bandas que eu conseguisse ver. Nos Mainstage houveram muitas apresentações bacanas que eu poderia ter assistido, bandas que eu curto muito ao vivo como Megadeth, Slayer, Joe Satriani e o próprio Rammstein, que eu gostaria de ter visto, mas a lotação do gramado me desanimou. Entretanto, eu dei preferência este ano para os palcos alternativos, conferindo bandas que eu nunca tinha visto ao vivo e me permitindo descobrir novos sons, novas experiências.

Reencontrei o amigo búlgaro, conheci seus dois amigos e a sexta-feira tornou-se uma festa só. Nas nossas conversas descobri que eles amam Sepultura, búlgaros que sabiam mais da banda brasileira mais famosa do mundo do que eu mesma. Garantia de momentos muito divertidos, os búlgaros são tão animados e espontâneos quanto os brasileiros. E claro, aprendi pelo menos uma palavra no idioma deles: Ieban’eeee. A tradução? Um palavrão, of course! It's something like "Foooda!". O melhor de festivais como o Hellfest é a troca cultural!  

Os búlgaros que amam Sepultura
Um ambiente como o Hellfest, a celebração francesa do rock, reserva muitas surpresas, é a atmosfera perfeita para quem ama música, quem ama o ao vivo e quem ama essa troca. Ver o verdadeiro "desfile" das mais variadas fantasias, desde o Homem-Aranha, até o Papai-Noel, passando por muitos ursos, unicórnios e onças, o clima de confraternização, o respeito mútuo e a harmonia que, penso eu, ser o rock o único estilo musical que permite essa união, afinal de contas não se trata só de um estilo de música, mas sim de um estilo de vida. Naquela sexta-feira ainda conferi o enérgico show do Overkill, regada a muito do gostoso vinho rosé do Hellfest

Be free!
O sábado seria o dia de uma imersão ainda mais profunda no ambiente. Eu "vaguei" por cada espaço do festival, por cada palco, por cada monumento, observando os detalhes, trocando palavras e sorrisos com cada um que passava por mim, me sentindo parte de uma grande família. Fiz mais uma visita ao mercado para um reabastecimento de mantimentos e me deparei com mais cenas divertidas, como a de dois caras usando vestidos e dançando It's Raining Men, um momento impagável! No viaduto entre o camping e o mercado, com centenas de pessoas indo e vindo, uma ONG realizava uma ação solidária: abraços free! Todo mundo se abraçava e a comunhão da vida, da música e da convivência pacífica eram contínuas...

Passei o resto do dia conferindo um pouquinho de cada coisa, Joe Satriani e sua virtuosidade, tentei dar uma chance ao Within Temptation, mas não faz meu gênero, o bom show do Disturbed, que chamou o veterano Glenn Hughes ao palco para tocarem Baba O'Riley, do The Who, e que na sequência tocaram Killing in the name of, rendendo uma boa headbanging. Uma volta na roda gigante, algo que eu não tinha feito no ano passado, mas que dessa vez resolvi enfrentar o medo. E valeu a pena, o visual lá de cima é fantástico! Mais um passeio entre os palcos alternativos e a hora de assistir o que seria, pra mim, o melhor show do festival, o Napalm Death. A noite ainda foi longa com mais conversas, muito vinho e ouvindo ao longe Offspring - que eu até gostaria de ter visto, mas o Mainstage estava lotado - e o Korn (há muita gente que goste, mas eu não curto nem um pouco). No final daquela noite a famosa queima de fogos de artifício em uma bela homenagemLemmy Kilmister, um momento de nostalgia total.

O palco War Zone visto da roda-gigante
O domingo, derradeiro dia de Hellfest (ainda tinha mais um dia?!), contou com apresentações de clássicos como Megadeth, Slayer, Refused, Blind Guardian e a brasileira Ratos de Porão. Eu passei a manhã em Clisson, curtindo a beleza da cidade que se transforma durante a época do festival. Muitos moradores alugam seus jardins para a galera do rock acampar (uma boa opção para quem prefere ficar longe do barulho), o comércio se "enfeita" e até ementas nos restaurantes levam o nome do festival. Voltando para a HellCity, foi a vez de conferir o show da Tarja e logo depois participar da coletiva de imprensa, onde ela fala com repórteres de todo o mundo, muito atenciosa e simpática. Eu ainda veria o Jane's Addiction em uma excelente apresentação e o derradeiro show do Black Sabbath, a catarse coletiva do Hellfest, para fechar aquele fim de semana com chave de ouro.

Eu voltei para Nantes naquela mesma noite, com a felicidade de ter, mais uma vez, feito parte do maior espetáculo na face da terra. Vida longa ao Hellfest e até 2017!

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