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Iron Maiden toca para dezoito mil fãs em Lisboa

O 11 de julho de 2016 vai entrar para a história de Portugal e, para os fãs de Heavy Metal, esta data  ganhou ainda um plus especial. Não, não é por causa do show do Iron Maiden que a data entra para a história, mas sim pela comemoração e pela recepção calorosa da seleção portuguesa de futebol, campeã da Euro Copa 2016, que derrotou a França no domingo, dia 10. Caminhando para pegar o metro na Alameda, justo onde os jogos foram acompanhados por milhares de portugueses e onde a festa de recepção ainda continuava depois de quase vinte e quatro horas da vitória, eu me sentia uma estranha no ninho, só eu de preto enquanto todos usavam verde e vermelho. Mas esta sensação logo se dissipou, pois na plataforma já haviam muitos headbangers com camisetas de bandas. "Opa, não estou no lugar errado!", pensei animada com a ficha finalmente caindo, afinal de contas ia rever a minha banda preferida de metal depois de 12 anos.

Nunca tinha ido ao MEO Arena e a mobilidade de Lisboa realmente é ótima nessas horas. Cheguei lá em menos de 15 minutos e entrei logo para garantir um bom lugar no balcão. A pista ainda não estava muito cheia, apenas a turma do gargarejo e os balcões tinham bastante espaço, o que me garantiu um posicionamento perfeito para aproveitar ao máximo aquela noite. Foi mesmo vantagem chegar cedo, pois em poucos instantes a casa encheu até quase na totalidade. 

O concerto de abertura ficou por conta da The Raven Age, banda do guitarrista George Harris, filho de Steve Harris, e que tem acompanhado o Iron Maiden em toda a tour de The Book of Souls. Um som interessante, pesado e bem trabalhado arrancou alguns aplausos do pessoal que já lotava a frente do palco. Durante o intervalo o público agitava bandeiras de Portugal, muitos aplausos e olas para o campeão da Euro Copa, fazendo até mesmo os menos aficcionados por futebol, como eu, se emocionarem com aquele momento. Duas paixões unidas numa noite...

Às nove em ponto, o som que antes rolava baixinho ganha volume e começa a tocar uma gravação de Doctor Doctor, clássico da UFO. Na sequência, ouve-se a bela introdução e a voz de Bruce Dickinson a cantar as primeiras frases de If Eternity Should Fail, faixa de abertura do novo álbum. Ele é então iluminado e aparece sob uma capa por detrás das tochas de fogo do cenário. O resto da banda entra ao palco já sob a euforia do público que canta toda a música. Muita gente já devia conhecer essa introdução, mas eu sou do tipo que não pesquiso a tour antes de ir ver o show, gosto do elemento supresa. E para ser bem sincera, confesso que não ouvia nada deles desde o Dance of Death. Sim, eu amo Iron Maiden, uma das bandas que mais já ouvi na vida, mas quando tentei ouvir os álbuns seguintes, A Matter of Life and Death e The Final Frontier, fiquei um tanto decepcionada, por isso não tinha ainda parado para ouvir o The Book of Souls. Neste caso, o elemento surpresa foi mesmo positivo. Gostei logo de cara da primeira música do show, a cavalgada estilo Iron de ser, seguida de Speed of Light. 

Mas a primeira grande surpresa da noite, pelo menos para mim, veio na terceira música do setlist, Children of the Damned, do The Number of The Beast, de 1982. Uma composição que eu adoro, que eu nunca tinha visto ao vivo! Ok, emoções à flor da pele, hora de voltar ao disco novo com a bela Tears of a Clown, a homenagem da banda ao ator Robin Willians, falecido em agosto de 2014. Um momento viagem com a intro de baixo de Mr. Harris para The Red and the Black, que me arrisco a dizer ser uma das melhores composições da banda na última década, em seus incríveis 13 minutos, com direito ao famoso Ooooo ironmaidiano...

Bastou o pano de fundo do cenário ser trocado pela clássica imagem de Eddie com a bandeira da Grã-Bretanha para a casa vir abaixo, antes mesmo dos primeiros acordes de The Trooper. E que sequência matadora que eles fizeram emendando em uma das minhas preferidas, Powerslave! Mais uma que eu via pela primeira vez ao vivo e mais um momento de tirar o fôlego! Depois da pequena viagem no tempo, eles voltam ao presente e executam mais duas ótimas composições de The Book of Souls: Death or Glory e a faixa título, The Book of Souls. Eu não pude acompanhar muito bem estas músicas porque fui importunada por uma funcionária da casa que veio me pedir para sair do lugar onde eu estava desde o início do show. O argumento era que eu e outras pessoas ao meu lado estávamos atrapalhando a visão de alguns clientes que estavam sentados no balcão de trás. Eu falei que estava ali desde o início e que o bilhete não tinha lugares marcados, então eu poderia ficar onde eu quisesse, e a funcionária impertinente chegou a ameaçar chamar a polícia se eu não acatasse o seu "pedido". Depois de algumas discussões revoltadas entre eu, a tal funcionária e uma moça que estava com a família ao meu lado e também não gostou nem um pouco da forma como fomos abordados, a representante do MEO Arena nos deixou em paz por termos dado dois passos para o lado. Oras, quem vai a um show do Iron Maiden para ficar sentado no balcão e ainda reclamar de que a visão está sendo atrapalhada por fãs que pulam o tempo inteiro? É, gente chata tem em tudo que é lugar... Lá para o meio de The Book of Souls conseguimos voltar ao clima do show e ligar o foda-se pros chatos sentados atrás de nós...

Para recompensar a chatice alheia, veio o momento arrasador da noite: os acordes da mais fodástica música dos caras na minha humilde opinião: Hallowed be Thy Name. Não bastasse a perfeição do momento, eles repetem a sequência que eu tinha conferido doze anos antes, grávida de oito meses da minha filha mais velha, naquele concerto que eles fizeram no Rio de Janeiro em 2004: emendam com Fear of The Dark e Iron Maiden. Pulei tudo que não podia pular naquela época... E durante o coro dos dezoito mil fãs em Fear of The Dark, revivi a emoção do coro com público dez vezes maior que aquele no Rock in Rio III, em 2001. Durante Iron Maiden, bateu aquela pontinha de tristeza do tipo "já está acabando!", mas após um intervalo de menos de cinco minutos sob a euforia geral, eles retornam com The Number of The Beast, dissipando rapidamente este sentimento. Bruce agradece a presença de todos, elogia o público, fala sobre a vitória do país, arrancando mais gritaria eufórica dos campeões europeus, e faz um pequeno e emocionante discurso sobre paz, citando Lisboa como uma cidade exemplo de harmonia, falando da beleza de uma cidade que acolhe todos os povos. E a música a seguir seria justamente sobre esta união, mais um momento que me fez praticamente perder a voz: a perfeita Blood Brothers! A esta altura já havia muito mais gente em pé ao meu lado, todos cantando como irmãos...  Para fechar a noite, mais uma surpresa: Wasted Years, outra clássica que eu ainda não tinha tido a oportundiade de ver ao vivo, e que foi cantada em coro pela multidão. A, como sempre, simpática despedida de Nicko Mcbrian com muitos aplausos e aquela pequena expectativa se eles tocariam mais alguma... Mas não, já iam duas horas de concerto e a passagem do Iron Maiden naquela data histórica para Portugal se encerrava ali... O sentimento de gratidão me invadiu e, para quem enfrentou um câncer na língua em 2015, Bruce continua em sua mais perfeita performance, agitando, pulando e cantando como sempre.

Para um verdadeiro fã, o show do Iron é sempre o show do Iron, algo inclassificável... O setlist beirou a emoção do Rock in Rio e superou em muito o concerto de 2004, também no Rio. Ainda não foi a vez de eu ser agraciada com algo como a perfeição da tour Somewhere Back in Time ou daquele show especial que eles fizeram na Suécia em 2005, onde tocaram apenas músicas dos quatro primeiros álbuns, mas ver os caras pela terceira vez foi sem dúvida alguma um momento marcante na minha vida de maidenmaníaca...

Foto: Divulgação Everything is New

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