Subscribe Us

Header Ads

Damien Rice: uma noite mágica no Coliseu de Lisboa

No dia mundial do Rock, Lisboa recebia não uma banda de rock, mas um cantor (ou cantautor, como por cá chamam) que mostrou sim uma atitude bastante rock no palco do Coliseu dos Recreios. Mas vamos começar pelo começo: o irlandês Damien Rice, que já tinha passado por Portugal no ano passado apresentando seu mais recente trabalho My Favourite Faded Fantasy, de 2014, passou esta semana pelo Porto (com ingressos esgotados) e por Lisboa, nos dias 12 e 13 de Julho, respectivamente. O álbum marca o retorno de Damien ao estúdio, após um grande período de dedicação à shows e a outros trabalhos, e foi muito bem recebido por crítica e público.

Eu descobri Damien Rice (como a maioria das pessoas) quando ele tinha apenas o primeiro álbum, O, de 2002, que foi um sucesso surpreeendente mesmo para o autor, por conta da faixa The Blower's Daughter, tema do filme Closer. Desde então, sou completamente viciada no trabalho dele e acompanhei os dois lançamentos seguintes, ouvindo suas composições quase que diariamente. Sim, o cara é praticamente a trilha sonora da minha vida, então dá para imaginar a ansiedade que eu fiquei para vê-lo ao vivo pela primeira vez. Ansiedade tamanha, que me fez ser uma das primeiras pessoas a chegar ao Coliseu dos Recreios, antes mesmo da abertura das portas. Um grupo ainda mais aficcionado que eu já guardava os primeiros lugares, inclusive com um rapaz ao violão cantando alguns dos temas de Damien para passar o tempo. Essa espera na entrada valeu à pena para me garantir um lugar perfeito ao balcão, não muito longe do palco e sem ninguém interfirindo na minha visão.

Depois da rápida e bela apresentação de Gyda Valtysdottir, artista que tem acompanhado Damien na tour pela Europa, abrindo vários de seus concertos, mais meia hora de ansiedade até que ele finalmente entra ao palco e recebe uma calorosa salva de palmas de um Coliseu praticamente lotado. Para começar a noite ele canta a faixa título do último álbum My Favourite Faded Fantasy. Um clima excelente para iniciar aquela noite: pouquíssima luz, a silhueta de Damien e seu violão, perfeito! A viagem seguiu com 9 Crimes e o primeiro momento que me arrancou lágrimas: Delicate, cantada em sussurros por todos. A plateia interagia, pedia músicas e ao mesmo tempo era criticada por outros que queriam apenas viajar naqueles momentos musicais tão singulares que Damien Rice nos proporciona. Mas ele mesmo se divertia com os comentários e os pedidos e se mostrava, como sempre, muito à vontade no palco, como se estivesse tocando na sala de sua casa em uma reunião de amigos. Conversa sobre o que um homem deve fazer ao se sentir atraído por uma mulher, arrancando gargalhadas da plateia e finalizando o papo com I Remember.

Um momento teatral com Cheers Darlin', onde ele incorpora os tristes versos que canta, com um copo na mão... Mais conversas com a plateia e um dos espectadores, aquele que estava com o violão na fila, é convidado ao palco para acompanhá-lo em Color Me In. O menino Bernardo não desapontou, acompanhou o ídolo cantando com ele outra bela composição de My Favourite Faded Fantasy, depois de algumas brincadeiras de Damien sobre a sua altura, pois o rapaz era um bocado mais alto que o cantor. Bernardo deixou o palco aplaudido de pé e recebeu mais alguns comentários calorosos da plateia, que fazia brincadeiras o tempo todo. Era um clima descontraído, mas ao mesmo tempo a vontade era que todos ficassem em silêncio total para que a viagem com Damien fosse ainda mais perfeita... E houve mesmo momentos assim, onde a atmosfera emocional nos envolvia, como na hora de Cannonball em que tudo se apaga e ele canta desplugado na total escuridão.

É em It Takes a Lot to Know a Man que Damien Rice troca a atitude descontraída por uma postura ainda mais rocker, ele que já tinha feito algumas performances mais nervosas no violão, como no caso do final de I Remember, mas nesta altura ele incorpora o "Homem Banda" e mixa vários instrumentos ao vivo, criando um clima inebriante em mais de dez minutos de uma viagem musical, deixando todos atônitos.

Aplaudido de pé e muito aclamado, Damien retorna ao palco para ainda nos presentear com I Don't Want to Change You e The Blower's Daughter - mais um momento de lágrimas - e fechar aquelas quase duas horas de espetáculo com Volcano, acompanhado de Gyda. Um sentimento de melancolia, claro que também causado pelas composições intensas, me invadiu ao final do show, não sabia se ia tentar falar com ele e agradecê-lo por compor tão belas músicas, ou se ia embora com aquela pequena sensação de que faltou algo. Não é que tenha faltado propriamente dito, Damien fez um ótimo repertório. É que para quem ama simplesmente todas as músicas do cara, fica difícil não querer que ele cante todas elas! Já se foram mais de vinte e quatro horas daquela noite mágica e eu estou ainda em um estado, digamos, piloto automático... Porque foram muitas emoções para processar em uma semana só e o efeito Damien Rice é avassalador, como aqueles filmes em que a gente precisa assistir mais de uma vez para poder captar todos os detalhes magníficos... 
 
Foto: Divulgação




Postar um comentário

0 Comentários