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David Gilmour: uma experiência obrigatória para quem ama ao vivo!

Quando o David Gilmour anunciou a tour pela Europa eu fiquei completamente eufórica, pois desde que vivia no Brasil, eu sabia que o dia que tivesse oportunidade de ver esse cara, eu faria de tudo para vê-lo. E foi mesmo assim. Depois da longa espera de seis meses entre a compra do ingresso e a data do show, com muitas incertezas no caminho, inclusive de como eu chegaria a Orange, no sul da França, eu finalmente consegui dar um jeito e após uma noite no aeroporto de Barcelona, carona embaixo de chuva em Lyon, e mais dois trechos de carona, sendo uma de caminhão, cheguei ao Theatre Antique de Orange a tempo de ver simplesmente um dos maiores ídolos do rock mundial, no dia 17 de setembro de 2015.

A fila na entrada do Theatre Antique era enorme, as pessoas se aglomeravam nos portões, todos ansiosos por aquele momento histórico. No meio de tantos franceses, consegui encontrar um senhor e um rapaz com o sotaque brasileiro e tive que puxar assunto, os brasileiros estão mesmo em tudo que é lugar! Eles tinham vindo de Curitiba para passear pela França e assistir ao show. Quando os portões finalmente se abriram todos começaram a subir a escadaria de pedras e a ansiedade em mim só crescia, a ficha na verdade ainda não tinha caído, eu tinha conseguido, tinha chegado até ali e ia realizar um sonho, ver David Gilmour na minha frente! Consegui me acomodar em um bom lugar, logo na frente e tinha uma visão panorâmica do palco e de todo o anfiteatro.

Mais alguns longos minutos de espera, mais de uma hora na verdade, até o teatro lotar completamente e Gilmour finalmente dar o indício de que subiria ao palco: as luzes se apagam e começa 5 A.M., música instrumental que abre o novo disco Ratle That Lock, lançado este mês, e logo ele emenda com a faixa título, que já tem até um clipe muito bacana em animação. Ratle That Lock agita o teatro e os aplausos no final da música são eufóricos. Em seguida, uma atmosfera muito viajante com o pianinho e o clarinete de Faces of Stone, mais uma nova, e as luzes (que luzes!) tão características dos concertos de Gilmour.

O primeiro ponto alto do show veio logo na sequência, com o mega-clássico do Pink Floyd, Wish You Were Here. Ver o próprio tocando essa música, que a gente vê tanta gente fazendo cover, é sem igual, foi um momento que cantei muito alto e viajei na imagem dele ali com seu violão, as luzes como sempre colaborando. Gilmour tocou então mais uma música do disco novo, seguindo a prórpia sequência do disco, veio A Boat Lies Waiting, muito chapante também com o baixão acústico e Gilmour com sua guitarrinha deitada, uma das melhores do novo disco, na minha opinião. Para continuar o momento viagem, ele toca The Blue, do excelente On a Island, de 2006. 

Agora era hora de agitar um pouco, depois da enxurrada de músicas novas e viajantes. Os primeiros acordes de Money fazem os franceses pirarem. Eu, particularmente, acho que essa é uma das músicas mais fracas do Pink Floyd, não que seja ruim, mas perto do conjunto da obra, eu não faria nenhuma questão de vê-la ao vivo. Para compensar, ele toca logo em seguida uma das músicas que eu mais adoro da banda, a primeira que me deixou toda arrepiada, da ponta do pé ao couro cabeludo: Us and Them. Uau! Fiquei realmente emocionada, algo difícil de descrever...


Mais uma nova, a bela In Any Tongue, antes de um dos momentos mais fantásticos do show, a apoteótica High Hopes. Outro uau! Fiquei literalmente boquiaberta, o maravilhoso solo dessa música com o jogo de luzes magnífico foi algo assim singular... Só uma pausa mesmo, para podermos respirar e nos recuperar daquele momento incrível!

Enquanto o público se movimentava, ia buscar umas cervejas ou ir ao banheiro, eu só conseguia ficar de pé me balançando de um lado para o outro, aguardando o que mais eu veria naquela noite tão especial. E a volta da banda, sob mais aplausos frenéticos, se deu com Astronomy Domine, outra combinação perfeita de música e luz. E então veio o momento onde eu transbordei e chorei como uma criança: Shine On You Crazy Diamond. Uma das músicas mais perfeitas na face da terra, chorei por inúmeros motivos: pela beleza da música, pela realização do sonho, pela gratidão de estar ali, por saber que aquele ser ali na minha frente é mortal e está velho, enquanto na verdade deveria ser imortal e fazer estas músicas incríveis para sempre... Chorei e senti a música por todos os meus poros.

Um momento para acalmar, hora dele apresentar toda sua banda, que é bastante aplaudida. Ele ainda fala do aniversário de seu técnico de som, que recebe os parabéns a você do público francês. Começa então Fat Old Sun com Gilmour ao violão, enquanto eu enxugava as lágrimas, para logo depois quase chorar de novo, com mais uma das minhas preferidas: Coming Back to Life. Muito, muito bom ver essa música ao vivo, adoro os backings dela e que melodia mais linda que Gilmour tira de sua guitarra, demais!


De volta à carreira solo ele toca On a Island e mais duas novas, The Girl in The Yellow Dress e Today, ambas muito boas, especialmente a primeira, em seu estilo meio cabaré. Daí vem outro momento de luzes para deixar todo mundo tonto. Até Gilmour colocou um óculos escuros, pois o show fica ainda mais impressionante com Sorrow e Run Like Hell, uma dobradinha perfeita para fechar o show e fazer a galera ficar insana. Mas não acaba por aí, claro. Em toda a minha vida de shows ao vivo, eu nunca tinha visto uma plateia ovacionar tanto um artista: durante os cinco ou dez minutos em que a banda sai do palco, todos aplaudem e gritam incessantemente pelo retorno, o teatro lotado era uma só voz chamando por David Gilmour. Que momento!

Ele retorna ao palco agradecendo muito o carinho do público, visivelmente emocionado, e presenteia a plateia com três super clássicos do Pink Floyd: Time, Breathe e Comfortably Numb, um final de show assim de tirar o fôlego mesmo, de fazer cada segundo ali ser mais que especial

Eu cheguei a ficar com uma pequena depressão pós-show, do tipo: "Como não vi esse cara antes?Agora tenho que ir a todos os shows dele! Nenhum show mais tem sentido após ver O cara!" E se eu tivesse condições com certeza eu iria em todos os shows dele no Brasil e na tour norte-americana também, porque ver o David Gilmour ao vivo é uma experiência que deveria ser vivenciada mais de uma vez na vida!

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