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Live N Louder: Uma noite que entrou para a história



Desde já antecipo que esta será uma resenha diferente. Ela, Grazi Calazans, viajava do Rio para São Paulo impulsionada principalmente pelo show do Scorpions; eu, além das ótimas atrações do festival Live’N’Louder, percorria os 430Km que separam as duas maiores cidades brasileiras ainda impactado pelo show que assisti do Nightwish no Canecão, no ano anterior.

Tudo começou ainda no ônibus da excursão que levava os rockeiros cariocas para a terra da garoa – sempre que posso, gosto de participar de excursões, são ótimas ocasiões para se conhecer pessoas interessantes. E foi assim que fomos ao Canindé, estádio da Portuguesa de Desportos, naquele feriado nacional no meio da semana, em plena quarta-feira.

Pra início de conversa, estava muito quente, muito mesmo. Após chegarmos na porta do estádio, depois de dar um cochilo na casa do irmão da Grazi, tratamos logo de molhar nossos rostos e nucas em uma mangueira ali nas proximidades. Já rolava um som pesado lá dentro, e logo identifiquei que era o Destruction em ação, literalmente destruindo, quebrando tudo. O Sol ainda estava a pino, e adentramos a pista, ou melhor, o gramado do estádio, naquele clima quente, tanto pelo nosso grande astro, quanto pelo power trio nervoso que agitava a galera. Sim, tínhamos chegado atrasados (andar em SP é sempre um tanto complicado), havíamos perdido os shows do Tuatha de Danann, do Dr. Sin e do The 69 Eyes, que tocava no Brasil pela primeira vez. Mas ok, coisas que acontecem, escolhas que temos que fazer para aguentarmos mais inteiros horas e horas de shows depois de uma noite inteira de viagem...

Outro forte motivo de eu ir ao Live’N’Louder 2005 era a apresentação do Testament, a primeira banda mais pesada que eu me tornei fã, bem no início dos anos 90. Nunca tinha visto os caras ao vivo, estava super empolgado, mas já no ônibus da excursão fiquei sabendo que eles haviam cancelado a sua participação no festival. Confesso que quase voltei, mas pelo visto o seu substituto, o Destruction, estava dando muito bem a conta do recado. Na sequência, veio um dos melhores shows do festival e do ano, o Rage, outro power trio de dar inveja. Eu não conhecia nada da banda, e felizmente me deparei com um massacre sonoro que já fez valer o ingresso, uma porrada na orelha mesmo! Deu até pena quando André Matos e seu Shaaman subiram ao palco depois da apresentação avassaladora do Rage, foi um bom momento para sentar e descansar um pouco.

Recuperado o fôlego, era a hora das duas atrações principais da noite. Depois do show do Canecão, de onde saí literalmente encantado, fiquei expert no assunto Nightwish, comprei CDs, baixei a discografia da banda, sem imaginar que no ano seguinte eu teria a oportunidade de vê-los novamente. Eu havia ido no show do Canecão conhecendo uma ou outra música do Once (2004), então dá pra imaginar a minha alegria quando fiquei sabendo que eles tocariam no Live’N’Louder  - desta vez eu veria a banda conhecendo melhor a sua trajetória, era realmente um momento especial! Luzes apagadas e os primeiros riffs de Dark Chest of Wonders invadem o Canindé, e segundos depois Tarja Turunen surge com um vestidão amarelo (que ficou eternizado como marca de sua despedida da banda), para delírio dos fãs - apesar de não ser o headliner do festival, o Nigthwish era visivelmente a banda que tinha levado mais fãs para o local - Planet Hell, uma das minhas preferidas e também do Once, veio na sequência, para levar o lugar abaixo. A música seguinte era muito especial pra mim, talvez ela tenha sido aquela que “jogou o feitiço” em mim no Canecão no ano anterior, a que me deixou realmente impressionado com a banda: Ever Dream. Eu aproveitei cada segundo daquela canção ali a céu aberto, desde a linda introdução que Mr. Tuomas & cia haviam feito recentemente para ela, até sua última nota.

Pronto, estava feliz da vida, com apenas três músicas o Nightwish já tinha feito a minha noite, mas ainda havia muito por vir, eu nem imaginava o quanto esta noite seria inesquecível! A sequência seguinte foi simplesmente avassaladora, com a ótima The Kinslayer e a linda The Phantom of the Opera, com destaque para o magnífico dueto entre Tarja e Marco Hietala. Uau, estava bom demais da conta sô, e depois de Tarja falar um pouco com o público, eles começam The Siren, uma que eu adoro e não esperava, emendando depois a também inesperada e linda Sleeping Sun. Era hora do descanso da Tarja e eu pensava que não tinha como ser melhor, mas para minha enorme surpresa (mais uma vez!), os caras tocam High Hopes, do Pink Floyd, uma das melhores músicas já compostas até hoje, simplesmente s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l! O retorno de Tarja ao palco é marcado pela ótima Bless the Child, seguida do mega clássico Wishmaster, outro grande momento. Slaying the Dreamer veio para deixar o show ainda mais pesado...

Depois de mais uma sequência avassaladora, era vez de um momento muito marcante: Tarja canta sozinha Kuolema Tekee Taiteilijan, uma linda música do Once cantada em finlandês, realmente um momento especial. Depois disso, era hora daquela que foi responsável pela explosão mundial da banda, o famoso pianinho de Tuomas anunciava que era a vez de Nemo sacudir a galera. Eu particularmente nem gosto muito dessa, mas a que veio a seguir é a melhor da banda, na minha opinião: Ghost Love Score. É o ápice, a obra-prima! Foram os 10 minutos mais viajantes e especiais e lindos da noite, para este que vos escreve. A noite podia ter terminado ali, mas felizmente não terminou, pois depois do show do Nightwish, que teve o hit Wish I Had an Angel como saideira, vinha a grande surpresa do festival inteiro!

Calma, calma, eu já explico. É claro que o Scorpions é uma banda de reconhecimento internacional há tempos e, ao contrário do que muito se disse na época, tinha merecidamente o posto de headliner do festival, mas acho que nem o mais fiel dos fãs esperava a avalanche de rock que a banda apresentou naquela noite. Foi uma aula, foi um retorno em grande estilo! Rudolf Schenker, Klaus Meine & cia começaram o massacre com a ótima dobradinha New Generation e Love´em and Leave´em, as duas primeiras de Unbreakable (2004), disco que tirou a banda de um período de trevas. O show começava quente, mas a dobradinha seguinte foi mais animal ainda: Bad Boys Running Wild e The Zoo, que tem um dos riffs mais marcantes da história do rock! Nem preciso dizer que o Canindé tremeu nessa hora...

Verdade que o local ficou mais vazio depois da apresentação do Nightwish, o que eu e Grazi adoramos, pois ficamos com mais espaço para curtir aquele show que entraria para a história de todos os fãs do Scorpions! Os caras estavam endiabrados no palco, e os felizardos que ficaram para presenciar aquele grand finale do festival correspondiam à altura. Voltando ao repertório, a próxima particularmente me deixou de queixo caído, já nos primeiros acordes eu não acreditava que se tratava de We’ll burn the sky, música da primeira fase da banda, uma das melhores da banda, um senhor musicão! Fiquei realmente perplexo e emocionado, gosto muito mesmo dela. Depois veio Deep and Dark, mais uma ótima do disco novo da época. O show pegava fogo, estávamos todos extasiados e sendo felizmente envenenados com as picadas daqueles escorpiões alemães que continuavam detonando, e era hora de um grande, mas um grande momento do show...

Se você fizer uma lista das músicas instrumentais mais marcantes de toda a história do rock, eu duvido que não entrará a próxima que veio no setlist daquela noite! Simplesmente era hora de Coast to Coast, do lendário disco Lovedrive, que teve a ilustre participação do guitarrista Michael Schenker, irmão do fundador da banda. Em um determinado momento da música, foram todos os músicos para a frente do palco e tocaram juntos o famoso riff que eternizou a canção, até o vocalista Klaus Meine empunhava uma guitarra, que momento! Não tive escolha a não ser levantar a Grazi, para ela também poder degustar daquele momento ímpar... Pra completar, para colocar a cereja no bolo, na sequência vem Holiday, incrivelmente tocada na íntegra, inteirinha mesmo, coisa que eles não faziam há muito tempo! Alguma dúvida que este show estava sendo verdadeiramente especial?

Ufa, era preciso retomar o fôlego, e os caras sabiamente tocaram a linda Wind of Change, um clássico dentre as baladas da banda. Mas foi só um breve instante de descanso, pois as duas seguintes voltaram a incendiar a galera, Loving You Sunday Morning e Tease Me, Please Me, com o solo do insano batera James Kottak na sequência. Terminado o ótimo momento batera x público, começa a famosa sirene anunciando um grande clássico da banda: Blackout surgia para levar a galera ao delírio. E foi bacana observar como os caras gostam de tocá-la, o Rudolf, que já é uma figura, ficava pra lá e pra cá como se fosse uma criança brincando de pega-pega, foi muito divertido presenciar aquela cena. Blood too hot, mais uma do Unbreakable, foi a seguinte, mantendo o ritmo do show lá em cima; depois veio Hit Between the Eyes (que pra mim podia ter sido substituída por outras tantas na mesma onda) e o super clássico Big City Nights, onde Klaus e o público brincaram um monte com o refrão da música, um grande momento da noite.

No bis, a primeira foi Still Loving You, uma das baladas mais famosas do universo pop rock e uma das mais esperadas da noite (sem falar que é um musicão!), seguida da também muito aguardada Rock You Like a Hurricane, que tem um dos riffs de guitarra mais legais e tocados do mundo, grande dobradinha! O show terminou com uma linda música do disco Blackout, surpreendendo a todos os presentes, um final inesperado e muito bom! Ah, e não posso cometer a injustiça de não deixar registrada a ótima performance do guitar man Matthias Jabs em todo o show, além do agitado baixista Pawel Maciwoda, que na época ainda era músico contratado e estava há pouco tempo com o Scorpions, mas que já deixava clara a sua influência no renovado fôlego da banda.

Então é isso amigos, este foi mais ou menos um registro de como foi esta noite que entrou para a história pessoal de muita gente, mas que particularmente foi um momento pra lá de especial na história de dois rockeiros que realmente são viciados na adrenalina de estar cara a cara com seus ídolos, pois cada um deles pode dizer com todas as letras: Eu Amo Ao Vivo!

E é a vez de ver novamente Nightwish e Scorpions, mas desta vez na França, no super festival que também completa 10 anos em 2015, o Hellfest!

Au revouir les amis, roooooock!!

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