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Let the madness begin!

O ano de 1995 já tinha presenteado os fãs cariocas de rock e metal com shows antológicos de Rolling Stones em fevereiro, Bruce Dickinson em março e Pantera em abril, um primeiro semestre para ninguém botar defeito! O mês era setembro e o Festival Monsters of Rock voltava ao Brasil pela segunda vez consecutiva, exatamente um ano depois de sua estreia em terras brasileiras, e desta vez haveria uma edição também no Rio de Janeiro, porém uma edição “encurtada”.  Em São Paulo, o time estava completo: Rata Blanca + Clawfinger + Virna Lisi + Paradise Lost +Therapy? + Megadeth + Faith No More + Alice Cooper + Ozzy Osbourne. A noite no Rio contaria com Therapy?,Paradise Lost, Faith No More e… OZZY! Man, um show do Ozzy! Ver o Ozzy ao vivo era o sonho de qualquer fã de rock, de qualquer músico, de qualquer um que tinha uma banda, e este dia finalmente chegou em 6 de setembro de 1995.

O show seria em outra nova casa de shows inaugurada no ano anterior, o Metropolitan, que ficava no Via Parque, um shopping também novo que ficava pra lá do Barra Shopping, no caminho para Jacarepaguá. Resumindo, era um bom pedaço de chão até lá, e o Ozzy era um bom motivo para enfim conhecer este lugar, que despontava como amelhor e maior casa de shows do Rio de Janeiro na época – o Metropolitan era subterrâneo e tinha uma acústica de primeira linha, o que nos deixava ainda mais empolgados de ver este show histórico. Ozzy tinha lançado o No More Tears, em 1991, e o maravilhoso Live & Loud, em 1993, discos que tinham trazido o madman novamente para o topo das paradas, mas isso era indiferente, pois estamos falando de um cara que já tinha toda uma carreira solo consolidada, além de ter sido a voz do Black Sabbath, uma das maiores bandas de todos os tempos, os pais doHeavy Metal. Eu era guitarrista na época, Crazy Train, Mr. Crowley, Iron Man e Paranoid foram algumas das primeiras músicas que aprendi a tocar, não havia banda que não tocasse pelo menos um clássico do Sabbath nos ensaios. Como disse, ter disco novo ou não, estar no topo ou não, não fazia qualquer diferença. Ver o Ozzy ao vivoera quase como uma (gostosa) obrigação, uma espécie de ato religioso para os fãs da música pesada.

Ozzy vinha ao Brasil com a tour Retirement Sucks (algo como “Aposentadoria é um saco!”), que era uma espécie de pré-aquecimento para o lançamento de Ozzmosis, que chegaria às lojas em breve, e vinha com duas novidades, uma ruim e outra muito boa, que acabou equilibrando as coisas. A má notícia é que Zakk Wilde não estava mais com Ozzy e infelizmente não poderíamos conferir aquele magnífico guitarrista ao vivo; mas a outra notícia, particularmente mexia com os meus nervos, e certamente não só os meus – o baixista da banda eraninguém menos que Mr. Geezer Butler, ou seja, teríamos metade do Black Sabbath original no palco! Estávamos todos extremamente empolgados em colocar mais este momento único na galeria dos shows históricos que conferimos ao vivo, e assim fomos para o longínquo Metropolitan eu, Luiz Sampaio e Léo Kmorra, que agora eram os meus companheiros oficiais de eventos internacionais no Brasil.

Você alguma vez já se sentiu uma sardinha dentro da lata? Eu já passei por esta experiência algumas vezes, mas aquela no show do Ozzy foi impressionante! O Metropolitan realmente era muito grande, mas foi pequeno naquele 6 de setembro de 1995, era pequeno para os fãs enlouquecidos que veriam pela primeira vez o “Príncipe das Trevas” em ação – Ozzy não vinha ao Brasil há 10 anos, desde a apresentação no primeiro Rock In Rio, em 1985. A sua base de fãs havia aumentado consideravelmente, a minha geração ainda não tinha visto nosso queridomadman ao vivo. Conseguimos ver todos os shows da noite, com destaque para a apresentação do Paradise Lost, uma banda que gosto muito e que fazia a turnê de Draconian Times, hoje um clássico da banda; eles levantaram a galera com a ótima The Last Time, que era o grande hit do disco. Após o Faith No More (que também fez um bom show, mas que eu já visto outras vezes em ocasiões melhores), todos estavam inquietos e excitados esperando ogrande momento da noite, o grande momento de muitas vidas roqueiras ali presentes. E não podia ser maisinusitado: de repente as luzes se apagam e Ozzy entra sozinho no palco, gritando com o público e correndo de um lado para o outro. Só ali já tinha “valido o ingresso”. Depois de um tempo, entra a banda no palco e Ozzy diz “LET THE MADNESS BEGIN!”, com o riff inicial de Paranoid levando o lugar abaixo! Eu particularmente gelei ao verGeezer Butler ao lado de Ozzy, era como um sonho que se realizava, eu me alternava entre os momentos de fúria deste clássico do Sabbath e outros de contemplação ao ver a dupla no palco. O calor era sufocante, o local estavacompletamente tomado e “em chamas”.
Desire, do ótimo No More Tears, veio na sequência, e a coisa voltou a pegar fogo com I Don’t Know, a primeira do primeiro disco da carreira solo de Ozzy, Blizzard of Ozz. Esta música tem um riff incrível, e não tive como não lembrar do excepcional Randhy Roads, que foi o guitarrista dos dois primeiros trabalhos solos de Ozzy, e imaginar como seria se fosse ele ali no palco. A próxima me fez continuar viajando na era Randhy Roads, pois Flying High Again, hit de Diary of a Madman, vinha para incendiar ainda mais a galera! O atual guitarrista estava mandando bem, mas eu queria o Randhy Roads, eu queria o Zakk Wilde, por isso concentrei minha visão na dupla sabbathiana, o que era de arrepiar todos os pelos do corpo. Teve um momento do show que Ozzy foi em direção ao Geezer, meio que o aplaudindo e o reverenciando, e a resposta do público foi imediata, ouviu-se um ensurdecedor “Geezer, Geezer, Geezer!” por todo o Metropolitan, foi demais! Goodbye to Romance veio para acalmar um pouco os ânimos, para o pessoal ter tempo de respirar um pouco e ir atrás de mais uma cerveja…

Que bom que tivemos este tempinho para respirar, porque um dos grandes momentos da noite aconteceu em seguida, era a vez da incomparável No More Tears roubar a cena. Todos tinham um carinho especial por esta música, foi ela que trouxe o madman de volta, sem mencionar o fato que é uma das melhores músicas e um dosriffs mais poderosos da história do heavy metal. Foi quase perfeito. Quase perfeito porque é uma canção que tinha a cara do Zakk Wilde, era impossível não lembrar do videoclipe que tanto tocou na MTV Brasil, daquele solo que tínhamos decorado na mente e podíamos reproduzi-lo inteiramente com a boca, fazendo “guitarras invisíveis” com nossas mãos. Foi realmente um grande momento. Na sequência, a nova I Just Want You, seguida de I Don’t Want to Change the World (outra com a “assinatura” de Zakk Wilde) e o clássico Suicide Solution, do primeiro disco, música que levou Ozzy aos tribunais devido ao suicídio de um fã. Foi uma ótima sequência, manteve o público aceso, mas o que viria a seguir foi o ápice do show, ficaria gravado para sempre em nossas memórias!

“Olê, olê, olê, olê, Ozzê, Ozzê!”, só se ouvia isso no Metropolitan, era ensurdecedor, era inesquecível! O próprioOzzy parecia não acreditar no que via e ouvia, ficava indo de um lado ao outro com cara de bobo, olhava para oGeezer com um olhar que parecia dizer “Olha isso, cara!”, entrando também na onda, tentando cantar junto com a galera.  Todos os “GO FUCKING CRAZY” ou “I CAN’T FUCKING HEAR YOU” foram totalmente “respondidos” naquele momento. E aí, como se retribuísse o carinho do público, ele e sua banda tocam um medley memorável do Black Sabbath, algo que jamais esquecerei: SABBATH BLOODY SABBATH + IRON MAN + SWEET LEAF, com CHILDREN OF THE GRAVE finalizando o massacre! Não sei descrever direito aquele momento, o que me vem à cabeça é a imagem de eu, Luiz e Léo pulando abraçados, como crianças que pulam juntas sem saber exatamente o motivo – mas nós sabíamos bem o motivo, estava ali diante de nós, Ozzy e Geezer relembrando magistralmente os tempos deSabbath e nos presenteando com aquele momento ímpar! Como se não bastasse, Mr. Crowley veio na sequência, com aquela intro de teclado que deixou todos ainda mais “de cabelo em pé” (se é que isso era possível), com uma pausa estendida antes de entrar a voz que deixou todos completamente “FUCKING CRAZY”, exatamente comoOzzy fez no Live & Loud. Mr. Crowley é daquelas músicas que todo músico de rock já tentou tocar, foi uma das primeiras que aprendi na guitarra, uma daquelas que eu ficava “babando” ao ouvir os solos de guitarra, a música perfeita da dupla Ozzy & Randhy Roads… Foi um instante para se guardar na memória. Na sequência, War Pigs eCrazy Train, o que mais posso dizer, precisa dizer alguma coisa? Em poucos shows podemos dizer que nem precisava de um bis, e este certamente foi um deles. Mas, para a felicidade geral da nação roqueira/metaleira que ali se encontrava, Ozzy e sua trupe voltam ao palco com Mama, I’m Coming Home, um musicão do disco No More Tears. Para finalizar, Bark at the Moon, um grande clássico da carreira solo do madman, outra que eu também muito queria ver, com seus solos de guitarra ao vivo!

Assistir o Ozzy pela primeira vez e acompanhado de seu parceiro de Black Sabbath, Geezer Butler, foi umaexperiência única. O show foi avassalador, saímos todos abençoados pelo “Sacerdote do Metal”! A sensação ao fim do espetáculo é difícil de descrever, só sei que aquela foi realmente uma noite inesquecível para quem tinha quase 20 anos na época. Era curioso olhar para os rostos suados e satisfeitos, enquanto saíamos lentamente doMetropolitan. Este foi daqueles shows muito comemorados após o seu fim, foi uma longa noite para todos que tiveram a felicidade de ver o madman em ação naquele 6 de setembro de 1995, no Rio de Janeiro.

LET THE MADNESS GO ON!

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