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Mourning Beloveth – O Sabbath do novo milênio

Sábado era dia de voltar ao RCA Club para conferir o show mais esperado do festival Under The Doom, pelo menos da nossa parte. A primeira noite do festival em Lisboa já tinha valido a pena, estávamos muito felizes e realizados de podermos vivenciar aquele momento em terras portuguesas, mas ainda havia a cereja do bolo, e esta “cereja” tinha nome certo: Mourning Beloveth. Somos muito fãs desta banda, acompanhamos a trajetória deles já há algum tempo, vibramos a cada disco novo, eles têm a sonoridade que mais me agrada dentro do universo doom metal, juntamente com o My Dying Bride. Portanto, apesar de todo o cansaço do dia anterior, foi com muita vontade e expectativa que voltamos ao RCA Club naquele sábado, 28 de fevereiro de 2015.
De acordo com o que vimos no dia anterior do festival, o Mourning Beloveth teria aproximadamente 1 hora de palco, pois eles seriam a penúltima banda a se apresentar. Ficamos apreensivos, pois em termos de Mourning Beloveth isso daria para tocar somente 4 músicas, pois a média de tempo de músicas dos caras beira os 15 minutos. Agora, imaginem: o que eram apenas 4 sons para quem aguarda há anos por aquele momento. Chegamos a brincar antes de sair de casa, tentando adivinhar qual seria o repertório do show (acabamos acertando duas!), mas era muito difícil tentar imaginar algo, por isso já colocamos de antemão em nossa cabeça o seguinte pensamento: o que vier é lucro! E no que se refere a esta magnífica banda, é a mais pura verdade…
Mourning Beloveth roubou a cena no RCA Club

Desta vez vou me abster de falar sobre as primeiras apresentações da noite, pois a Grazi as descreve muito bem no texto sobre o ótimo show da Marche Funèbre (veja aqui); vou me concentrar única e exclusivamente naquele que ficaria marcado como um dos shows mais poderosos que já assisti em meus quase 25 anos de plateia (sem contar o Rock In Rio I, que fui ainda criança). Após o show dos belgas da Marche Funèbre, que nos deixou de alma lavada, a ansiedade e o nervosismo começaram a tomar conta, pois o lado fã imediatamente invadiu o meu ser e expulsou o lado do profissional que estava ali fazendo a cobertura do festival. Depois de tirarmos algumas fotos lá do mezanino, tratamos de ir lá para baixo e nos enfiamos no meio do público, até conseguirmos um ótimo lugar na frente do palco. A esta altura rolava a música de abertura, Ethics on the Precipice, a segunda faixa do excepcional Formless (2013), uma das que eu dava por certo que eles tocariam.
Eu fiquei mais à direita do palco, praticamente aos pés do guitarrista e vocalista Frank Brennan, que vou logo dizendo que, pra mim, é o novo Tony Iommi, da mesma forma que o Mourning Beloveth é o Black Sabbath do novo milênio. Eu estava hipnotizado pelos riffs poderosos de Mr. Frank, enquanto a Grazi estava bem na frente do vocalDarren Moore, também completamente hipnotizada por toda a atmosfera da sonoridade da banda, e especialmente da música de abertura, que nos deixou em transe com seus 17 minutos de duração – lembro que eu olhava para ela e via seu semblante tomado pela emoção e pela descrença, parecia dizer “será que isto está acontecendo mesmo?”, e tenho certeza que ela via a mesma pergunta em minha face. Ambos estávamos de boca aberta, absorvendo cada segundo de som, cada riff pesado, cada melodia ímpar
Frank Brennan, o novo Tony Iommi
Eu estava de olho na banda e de olho no relógio, que estava na parede do outro lado do palco, na direção do guitarrista Pauric Gallagher e do baixista Brendan Roche, que vale destacar que davam um show de performance, que pareciam fazer parte da plateia, de tanta empolgação e tanto bate cabeça e cabelos ao vento. Cada minuto que passava era uma angústia e, terminada a primeira música do show, já tinha se passado mais de um quarto do tempo de palco da banda. De repente, Brendan vira para o batera Tim Johnson e diz Autumnal (pelos arrepiados neste exato momento), e a primeira surpresa da noite começa diante de nossos olhos e ouvidos extasiados: Autumnal Fires, do primeiro disco (Dust – 2001), uma das melhores músicas da banda, que tem uma das melodias mais lindas e marcantes, daquelas que grudam na mente. Nessa eu fiquei inteiramente “off-line”, esqueci o tempo, esqueci as preocupações, embarquei no momento totalmente, de vez em quando pegava a máquina da Grazi e batia algumas fotos, de vez em quando sorria sem motivo (ou seria com?), que nem criança que está gostando da brincadeira. E assim se passaram mais 12 minutos da apresentação, era chegada a hora de mais um clássico.
Narcissistic Funeral, do Sullem Sulcus (2002), segundo disco dos caras, veio na sequência, outra que eu dava como certa. Logo nos primeiros acordes de guitarra (ainda sem distorção), este clássico do Mourning Beloveth arrancou gritos e suspiros do público, realmente era uma das mais esperadas. É importante salientar que a banda estava muito redonda no palco e que o poder do som dos caras estava incrível, me fez lembrar outra noite inesquecível, a do show do Black Sabbath que vimos em Porto Alegre em 2013 (confira aqui), quando a incrível potência da atração principal suprimiu de longe a potência da banda de abertura, e olha que a banda de abertura tinha sido o Megadeth, que fez um ótimo show. Mas quando o Sabbath entrou, percebeu-se nitidamente a diferença, do tipo“Ok, agora vamos aprender com os mestres como se faz”. Foi mais ou menos a mesma sensação que tive naquela hora, pois o Marche Funèbre havia feito uma excelente apresentação, mas o Mourning Beloveth vinha para dizer“Ok, agora o buraco é mais embaixo”. E realmente era – um buraco muito bom de mergulhar de cabeça!
Era chegada a hora da última música, que foi devidamente anunciada por Frank Brennan. Eu esperava que fosse The Apocalypse Machine, do Murderous Circle (2005), o terceiro disco da banda e um álbum que é obrigatório para quem quiser se aventurar no universo do doom metal – The Apocalypse Machine é uma das melhores músicas do Mourning Beloveth e do próprio estilo. Mas Frank anunciou a segunda e última surpresa da noite, a derradeira do set era Nothin has a Centre, outra do Formless (2013), uma das três melhores do disco, pra falar a verdade. E foilindo! Esta música tem uma melodia de voz muito bonita cantado por Frank, assim como a linha de guitarra. É importante dizer que Frank não faz backing vocal, ele é um dos dois vocalistas da banda, o responsável pelos vocais limpos, enquanto os guturais ficam a cargo de Darren Moore, que por sinal tem uma ótima performance(isso sem praticamente sair do lugar), nos traduz todo o sentimento do som e o que ele mesmo está sentindo no momento.
Você percebe que um show é grandioso, quando você sai completamente extasiado do local, mesmo se a banda ou artista não toca suas favoritas. Foi isso que aconteceu no RCA Club em 28 de fevereiro de 2015, uma apresentação avassaladora do Mourning Beloveth (que, na minha opinião, devia ter fechado o festival, devia ser headline) mesmo sem tocar alguns clássicos, mesmo sem tocar músicas antológicas como The Apocalypse MachineTheorie of Old BonesThe SicknessYet Everything e a minha predileta, Primeval Rush. Foi muito mágico conferir estesirlandeses que ainda vão dar muito o que falar no maravilhoso mundo da música pesada!
Vamos que vamos, até o próximo encontro ao vivo, roooock!!!

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