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Anathema no Carioca Club: O final de uma grande espera

Lá pelo início de 2005 eu conheci o Doom Metal, um dos meus estilos favoritos hoje em dia, e seus principais representantes como My Dying Bride e Anathema. O Anathema na verdade de Doom mesmo acho que foi só nos dois primeiros álbuns, depois eles foram mudando o estilo, criando um som ainda mais envolvente e introspectivo, partindo para sua grande influência de Pink Floyd (uma das minhas bandas do coração). Fui acompanhando a carreira deles, ouvindo todos os discos, assistindo tudo que era show na internet e ficando cada vez mais fã. Até que no final de 2006 foi anunciada a turnê deles no Brasil, com datas em São Paulo e Brasília, e como morava no Rio de Janeiro ainda, não pensei duas vezes em ir à São Paulo para assistir os caras.

Nem acreditava que aquele momento iria acontecer, uma viagem de 6 horas de ônibus, um rolé pela galeria do rock e seguir para o local do show, o Ledsley. Ao entrar já estava acontecendo um show de abertura, a casa estava com bastante gente e ao término do show, eis que acontece um dos piores momentos da minha vida: a polícia de São Paulo lacra a casa (literalmente), ninguém entra, ninguém sai, banheiros trancados, bar trancado. A casa não tinha alvará de funcionamento e por causa de uma denúncia a polícia chegou bem na hora do show pra acabar com a festa. E a "delicadeza" da polícia paulistana era de se espantar, tratando a todos nós como se fôssemos bandidos. A produção indo ao palco tentando explicar, tentando dizer que iriam resolver a situação e deixar o show rolar, mas não teve jeito. A banda não fez o show, eles até desceram do camarim e foram para o meio da galera, me lembro até hoje de cada momento, tenho até fotos com eles, que não vou conseguir localizar nos meus backups antigos para postar aqui. Os irmãos Vincent, Danny e Jamie Cavanagh e Lee Douglas, todos muito simpáticos e tão incrédulos quanto nós, público, sobre aquela situação. 

Depois de momentos de muita tensão a polícia liberou as portas para o público sair e a produção prometeu que devolveria o dinheiro dos ingressos para todos. Um mês depois estávamos entrando com um processo na justiça contra a produtora, pois nos ressarciram apenas o valor dos ingressos, mas no nosso caso tínhamos gasto muito mais com a viagem para São Paulo, fora os danos morais daquela situação bizarra. Muita frustração (já ganhamos o processo, mas até hoje a produtora dá um jeito de escapar e a famosa justiça brasileira, tarda, tarda e ainda falha), uma deprê enorme cada vez que assistíamos o show deles pela internet e pensávamos que quase tivemos aquele momento diante de nossos olhos.

Enfim, sete anos depois daquele momento quase trágico, foi anunciada uma nova turnê deles com uma única data no Brasil, na mesma São Paulo. Depois do perrengue que passamos em abril na capital paulista para assistir ao The Cure, tínhamos desistido de ir a São Paulo novamente, fora que a nossa situação financeira não estava lá estas coisas, então não decidimos ir ao show logo que soubemos dele. Mas para minha sorte, as coisas mudaram em alguns meses, os ingressos estavam muito baratos e consegui uma promoção muito boa das passagens aéreas, então no dia 5 de setembro, consegui resolver este impasse comprando ingressos e passagens para ver o Anathema no dia 13 de outubro. Dias depois eu viria também a conseguir comprar os ingressos para o Black Sabbath, que seria somente 4 dias antes, uau, que semana!

A ficha não caía, assistimos ao show do Sabbath, que relatei aqui como realmente o show mais poderoso que já vi. E no domingo estávamos novamente embarcando para a terra da garoa para ver o Anathema no Carioca Club. Dessa vez o perrengue seria menor, ficaríamos na casa de nossa amiga Laurene, mas ainda assim nos demos mal em uma informação desencontrada do metrô, saltando em uma estação bem mais distante do que outra, que ficava na esquina do local. Andamos por quase uma hora e finalmente chegamos aonde seria o show, a ansiedade aumentando. Depois de uma cerveja no boteco ao som de Ramones, entramos no local que já estava tomado de gente, mas que pra minha sorte não tinha muita gente alta ou o chão era levemente inclinado, pois de qualquer lugar da casa eu conseguia ver o palco muito bem. Ficamos na lateral do palco, bem próximo da grade, a posição ali não era muito boa, pois uma caixa de som tapava parte da visão, mas quisemos ficar bem perto do palco no início. E naqueles minutos de espera (o show estava marcado pras 20h, mas eles entraram somente às 20h30) eu tremia de nervoso, olhava pro palco com as cortinas fechadas e não conseguia acreditar, passava um filme na minha cabeça de toda aquele situação de 2006. Eu sabia que não aconteceria de novo, a casa era famosa, não teria problemas, mas eu às vezes me pegava olhando pra entrada pra ver se não vinha algum policial fechar tudo.

E depois da espera, o público todo gritando insano pela entrada dos ingleses, eis que uma música do Pink Floyd começa a tocar mecanicamente e as cortinas se abrem, entram os três, Vincent Cavanagh (voz e guitarra), Danny Cavanagh (guitarra) e Lee Douglas (voz feminina) sobem ao palco já aplaudindo, eles mesmos, o público que tanto aclamava pela sua presença. Foram de uma simplicidade, de uma simpatia, que eu nunca vi em nenhuma banda gringa. E começam o show logo com as três primeiras do último álbum, o Weather Systems, fazendo cair a fixa finalmente. No meio da primeira música eu já quis ir pro meio da casa, pra ver melhor o palco e sentir melhor o som, e ficamos em um local perfeito. Quando começaram a tocar a Untouchable II e aquelas mil pessoas cantando junto, eu comecei a chorar como nunca chorei na minha vida em show algum. Eu soluçava enquanto cantava junto, foi realmente um momento muito emocionante. E vieram mais vários momentos memoráveis durante as duas horas do show impecável, os caras tocando músicas transcendentais, músicas que pareciam me fazer flutuar, que me transportavam para outra dimensão. A gente se entreolhava o tempo todo com um sorriso de orelha a orelha por estarmos vivenciando aquilo. No final ainda faltou muita música, mas a Flying foi a que eu mais senti falta, estava certa de que eles iam tocá-la, mas não rolou...

No final do show eu me senti tiete pela primeira vez, o Danny desceu para o meio da galera que ainda ficava no local pedindo autógrafos em vinis e cds. Encontramos um amigo gaúcho, o Alemão Nylton, que estava trabalhando na produção e ele tentou nos colocar para dentro do camarim para entrevistarmos os caras, mas não rolou também, ele chegou a dizer qual o hotel que eles iriam e quando a moça da casa nos expulsou de lá de dentro, resolvemos dar um pulo até lá mas não deu em nada, porque os caras não chegavam nunca. 

Pegamos nosso voo de volta a Porto Alegre, muito satisfeitos, com certeza foi a nossa passagem mais tranquila e emocionante por São Paulo e até hoje quando escuto alguma música do show meus olhos se enchem de lágrimas!

E assim como, para mim, o U2 é o Rolling Stones da atualidade, o Anathema é o novo Pink Floyd!

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