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O show mais poderoso que já assisti

Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

No dia 9 de outubro de 2013, vivi novamente um momento mágico em minha vida de rockeira. Sim, é verdade que eu não conhecia muito a fundo a carreira do Black Sabbath, até ser apresentada aos 5 primeiros álbuns, pelos quais fiquei simplesmente fascinada. Mas como assim eu não conhecia os pais do Heavy Metal?!
Pois é, a primeira música que eu ouvi deles foi Iron Man, que tinha numa coletânea de rock, um dos primeiros CDs que tive na vida… E Paranoid eu conheci logo depois vendo o clipe na MTV da década de noventa, quando eu conseguia sintonizá-la no UHF. Eu gostava muito destas duas músicas e quando fui procurar algo a mais do Sabbath, por acaso eu acabei ouvindo a pior fase deles, um DVD desses que se compra em promoção, uma coletânea de clipes e trechos de shows, só com músicas da década de 1980. Depois conheci o Dio, na sua carreira solo, e soube que ele tinha sido vocal do Sabbath também e fui atrás, quando descobri o Heaven and Hell, álbum que virou um dos meus favoritos de todos meus discos de metal. Também conhecia a carreira solo do Ozzy e adorava, tive duas camisetas dele (uma tenho até hoje e inclusive fui com ela no show do Sabbath), e tinha o álbum ao vivo com o Randy Rhoads, mas não sei por que cargas d’água eu não conhecia as obras primas do Black Sabbath. Pra minha sorte, acabei sendo apresentada por um fã toda a carreira da banda, além de ter lido o livro do Ozzy, que me impressionou em relação à história da banda.
Quando descobri a turnê no Brasil e as datas, comecei imediatamente a planejar minha ida. Rio? Porto Alegre? O que sai mais barato? Os ingressos estavam meio “salgados”, minha situação financeira na época estava meio ruim e fiquei na pendência de achar uma solução. Em São Paulo esgotaram-se, “ai céus” e se em Porto Alegre esgotasse também? Podia ir ao Rio. Seria uma experiência incrível, mas não estava mesmo em condições de comprar passagens e ingressos. Até que ouvi a notícia de que os ingressos de Porto Alegre também tinham esgotado. Bateu uma sensação de “putz, não era pra ser”, porque a dificuldade estava grande…
Alguns dias depois, eu ainda não me conformava, e quando li sobre o repertório sinistro que o Iron Maiden faria no Rock in Rio (e fiquei meio deprê de perder aquele show), eu pensei: “não é possível, não posso perder este momento histórico do Sabbath bem aqui ao meu lado”. Fui no site dos ingressos novamente e vi que pela internet ainda havia ingressos a venda. Não pensei duas vezes, comprei no cartão de crédito (dane-se a conta!). Que alívio!
E eis que o dia tão aguardado chegou! Enfim, 9 de outubro, quarta, o universo conspirando a favor: o dia lindo, ônibus num bom horário pra descer de São Francisco de Paula a Porto Alegre e uma van de São Chico com vaga pra voltar nela! Nem precisaria passar perrengue na madruga em Poa depois do show, voltaria confortável pra casa! Saltamos do bus no meio do caminho, ainda em Cachoeirinha, porque o trânsito estava infernal. Resolvemos ir andando mesmo, depois de forrarmos o estômago com um xis. Meia-hora caminhando e estávamos na entrada da FIERGS, a ficha ainda não caindo… Pegamos os ingressos, fotografamo-os e entramos!
O lugar já estava absolutamente tomado. Pela nossa experiência lá no show do The Cure em São Paulo, que foi num lugar assim também grande e aberto, eu resolvi que deveríamos ficar bem perto das caixas de som que tinham no meio da pista, custasse o que custasse. Digo isso porque eu tenho problemas sérios com multidões, tenho um certo pânico de ficar espremida no meio da galera, minha pressão logo cai, começo a passar mal. Por isso sempre fico mais afastada do palco, mesmo não vendo muita coisa, o que vale pra mim é muito mais a sensação do ao vivo, do que propriamente a imagem. Entretanto, eu criei um tipo de abstração em mim pra conseguir ficar em um ponto onde pelo menos o som fosse perfeito, porque a visão eu quase nunca tenho além do telão, de cima dos meus 1,62m.
Logo no começo do show de abertura do Megadeth (um brinde, pois adoro a banda!) já nos posicionamos ali no meio da galera e me entreguei ao som, que ainda não estava tão potente. Curti a hora inteira de show, a vontade de ir ao banheiro já surgindo, mas não arredei o pé, “daqui eu não saio, eu vou aguentar!” Pra minha sorte o intervalo entre Megadeth e a grande espera da noite, foi de menos de meia hora. Depois de gritos eufóricos da galera, de uma multidão chamando “Sabbath! Sabbath! Sabbath!” e de algumas intervenções do Príncipe das Trevas em uma voz off que dava gritos e ficava imitando um relógio cuco,  os pais do Heavy Metal surpreenderam a todos, entrando 15 minutos antes do previsto. Uau!!! 
Fui levantada na hora da sirene de War Pigs e fiquei ali por uns 60 segundos, tendo a visão perfeita do palco e da multidão na minha frente, cantando e vibrando com aquele momento histórico. Foram os segundos mais emocionantes de toda a minha vida de rockeira! A histeria era total, o Ozzy quase nem precisava cantar, pois a galera cantava a música inteira. Do chão, no meio da multidão, eu pulei mais do que em qualquer outro show que eu me lembre (e não fui a poucos shows na vida). O lugar que escolhemos era perfeito, pois o som estava incrivelmente bom, a voz de Ozzy saía perfeita (mais uma surpresa, pois receávamos que ele não estivesse em sua melhor performance, como em alguns shows que assistimos na internet). A potência da guitarra de Tony Iommi e do baixo de Geezer Butler, entravam pelo meu corpo, como se eu estivesse em cima do palco. Eu ainda conseguia ver muitas imagens no telão e pude acompanhar as peripécias do endiabrado Ozzy Osbourne. Simplesmente  incrível!
Depois daquela primeira avalanche de uma única música(!!!), continuaram os gritos “Sabbath! Sabbath! Sabbath!” e Ozzy fala com a galera qualquer coisa com “Fucking Crazy”, enquanto Tony puxa o riff de Into The Void. Piração total! Viajei muito na melodia e peso dessa música. A euforia não parava, estar com o Black Sabbath diante dos nossos olhos e ouvidos era puramente mágico. Mais de 15 minutos já de show e apenas duas músicas arrasadoras. Ozzy troca mais algumas palavras com a multidão e faz mais uma palhaçada gritando “Cuco, Cuco”. Aí foi a vez de uma dobradinha do Vol. 4 - Under The Sun tirou todo mundo do chão. A vontade de ir ao banheiro, a fobia da multidão, as dores pelo corpo, o calor, tudo virou pó diante daquela energia e nós fazíamos parte da massa que pulava, cantava e gritava todo o tempo. No final da música Ozzy apresentou a banda e anunciou Snowblind, pra derrubar ainda mais a “casa”. A cantoria começou já na parte instrumental e eu viajava todo o tempo e acompanhava o “Oh Oh Oh” extremamente agradecida por aquele momento. O Ozzy parecia estar tão extasiado quanto o público, ele reverencia a galera e depois grita “God blessed you!”, visivelmente emocionado. Todos gritaram seu nome em uníssono.
Depois de quatro músicas da fase de ouro do Sabbath, era chegada a hora de uma música nova, do excelente álbum 13.  Age of Reason já parecia um clássico quando começou a batera pesada acompanhada dos riffs característicos de Mr. Iommi. A galera não desanimava, pelo contrário, todo mundo já sabia cantar, era mesmo um musicão! Outro “God blessed you all” de Ozzy ao final dos mais de 7 minutos da música e ele avisa que vai voltar no tempo e anuncia Black Sabbath, pra delírio geral, inclusive o meu. Sem palavras, uma total catarse coletiva. Mesmo quem não quisesse pular, não tinha escolha, o estacionamento da FIERGS estava tomado de uma massa em movimento contínuo!
Mais uma do álbum Black Sabbath, agora Behind The Wall of Sleep. Pra mim, não tinha mais distinção entre clássicos ou “lados b”, eu pirava em todas as músicas, estava completamente entregue. E quando veio então a N.I.B. na sequência, eu tive uma das sensações mais fantásticas de todos os shows que já fui. Era uma das minhas preferidas e fiquei muito, muito eufórica em vê-la ao vivo, uma experiência única. No final da música foi a vez da galera gritar “Geezer! Geezer! Geezer!”, demais! Estávamos vendo aquilo? Ozzy entoa um “Oh, oh, oh, oh, oh, oh” e são vários instantes assim até o batera puxar mais uma nova, que já era clássica de tão foda, a primeira do 13End of The Beginning. Mais um momento muito viagem, o poder daquele som fazia as caixas fly acima de nossas cabeças vibrarem e nos levavam para um momento sonoro sem precedentes.
Eles ainda tocaram Fairies Wear Boots e Rat Salad antes de um solo animal do Tommy Clufetos, destruindo a bateria e me fazendo pensar no Dimi, meu baterista mirim. Depois do solo, eles voltam justamente com Iron Man, pra explosão geral, hora de perder a voz! Na sequência, mais uma excelente do novo álbum, a God Is Dead?, e mais um “momento piração”Um momento de “descanso” veio com Dirty Woman. Um momento necessário para o que estava por vir: depois de Ozzy incitar a galera, ele anuncia: “This song is called Children of The Grave!” Pronto, meu coração literalmente disparou e as lágrimas escorreram dos olhos, quando fui erguida novamente pra presenciar os primeiros acordes da música mais poderosa do Heavy Metal! Podia ter acabado ali, eu sairia muito mais que satisfeita, mas claro que eles ainda tocaram Paranoid, fazendo o lugar parecer vir abaixo com as cerca de 30 mil pessoas pulando em sintonia perfeita
Fiquei totalmente surpresa comigo mesma de aguentar aquela maratona e de vibrar tanto a cada música, conhecendo cada uma delas. Eu não me lembrava de ter curtido tanto assim um show, exceto pelo Scorpions e o AC/DC, ambos em São Paulo. Black Sabbath foi com certeza o show mais poderoso que já vi na vida!

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